A empolgação inicial com a inteligência artificial dentro do ambiente corporativo começou a dar espaço para uma preocupação matemática. Após dois anos de adoção acelerada de sistemas e modelos de linguagem, os executivos agora focam as atenções na ponta do lápis. O questionamento central no mercado de tecnologia deixou de ser o que a ferramenta consegue fazer para focar em quanto ela custa e se o investimento realmente compensa.
O custo da inovação

O debate dominou as rodas de conversa do Web Summit Rio, evento de inovação sediado na capital fluminense nesta semana. Os especialistas apontaram que as aplicações deixaram de ser apenas experimentos isolados e passaram a integrar as operações diárias das empresas em larga escala. O resultado dessa transição é um consumo gigantesco de poder de processamento computacional.
Renata Petrovic, chefe de inovação do Bradesco, relatou que o mercado vive um quase pânico na tentativa de limitar esses gastos operacionais. Segundo a executiva, a tecnologia evoluiu rápido demais de um ano para cá. Se antes o foco estava nos simples chatbots de atendimento, hoje as atenções estão voltadas para a infraestrutura, com agentes autônomos que consomem recursos demais. A solução proposta pelas lideranças para fechar essa conta é fugir da dependência de um único fornecedor de peso. A estratégia do momento é adotar a arquitetura multimodelo, que significa basicamente usar sistemas mais baratos para tarefas simples e reservar a tecnologia de ponta apenas para as demandas complexas.
Entenda o “vibe coding” e o controle do consumo

Outro ponto que impulsiona as conversas sobre o orçamento corporativo é o método de desenvolvimento batizado de vibe coding. A técnica permite que pessoas sem nenhuma formação técnica consigam criar softwares inteiros apenas conversando com a máquina em linguagem natural.
Michele Catasta, presidente e chefe de inteligência artificial da plataforma Replit, defende que a indústria caminha para uma fase de maior racionalidade. Ele explicou durante sua palestra que as empresas estão conseguindo economias muito substanciais, já que softwares que custariam centenas de milhares de dólares agora podem ser construídos sob medida por uma fração muito menor desse valor. O grande ganho para os empresários é desenvolver uma ferramenta própria que executa exatamente o fluxo de trabalho interno, sem a necessidade de pagar por pacotes de grandes fornecedores repletos de funções que os funcionários nunca usam.
Apesar da facilidade e da economia na criação desses sistemas, a manutenção diária exige pulso firme da diretoria. Bruno Dinato, diretor de operações da BRQ Solutions, comparou o cenário atual com a gestão financeira dos servidores em nuvem. Como as plataformas cobram o serviço com base na quantidade de dados processados a cada interação, as companhias precisaram criar regras rígidas de governança para evitar desperdícios.
O diretor ressaltou que as empresas mais maduras não olham mais apenas para o custo da fatura, mas sim para o impacto do investimento. O objetivo principal do mercado atualmente é entender qual retorno a tecnologia entrega em eficiência, produtividade ou geração de receita, garantindo que cada conversa com a máquina justifique os valores investidos ao final do mês.





