O número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu um patamar inédito em 2026. Segundo levantamento da Serasa Experian, o país chegou à marca de 9 milhões de CNPJs com dívidas em atraso, o maior volume já registrado pela série histórica da instituição.
O avanço é expressivo. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de aproximadamente 1,5 milhão de empresas negativadas. O dado reforça as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo em um ambiente marcado por crédito restrito, custos elevados e crescimento econômico moderado.
A maior parte desse contingente é formada por micro e pequenas empresas. São cerca de 8,5 milhões de negócios de menor porte com algum tipo de inadimplência, segmento que concentra boa parte da geração de empregos e da atividade econômica no país.
Pequenos negócios concentram maior parte das dificuldades
O levantamento mostra que a situação afeta desde pequenos comércios e prestadores de serviços até clínicas, escritórios e indústrias de menor porte. Para muitas dessas empresas, manter as contas em dia tem se tornado um desafio diante do aumento das despesas operacionais e da redução das margens de lucro.
Além do recorde de empresas negativadas, o valor total das dívidas também alcançou um novo pico. São 63,7 milhões de débitos em atraso que somam R$ 220,9 bilhões.
Na média, cada empresa inadimplente acumula mais de sete contas negativadas e um passivo próximo de R$ 25 mil.
Crédito continua pressionando o caixa das empresas
Mesmo com o início do processo de redução da taxa básica de juros, o alívio esperado por empresários ainda não se refletiu de forma significativa no acesso ao crédito.
Na prática, financiamentos continuam caros e a concessão de empréstimos segue mais restrita, especialmente para empresas de menor porte. Com isso, muitos negócios enfrentam dificuldades para reorganizar o caixa ou refinanciar dívidas acumuladas nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, diversos setores convivem com desaceleração nas vendas e menor ritmo de crescimento da economia, o que reduz o faturamento e aumenta a pressão sobre as finanças das empresas.
Cenário preocupa especialistas
Os números indicam que a inadimplência empresarial deixou de ser um problema pontual e passou a representar um desafio estrutural para a economia brasileira.
A preocupação é que o cenário continue se deteriorando nos próximos meses caso persistam fatores como crédito caro, baixo crescimento econômico e dificuldade de recuperação do consumo.
Para especialistas, o momento exige maior atenção à gestão financeira. Controle de despesas, planejamento de fluxo de caixa, renegociação de débitos e busca por eficiência operacional aparecem entre as principais estratégias para atravessar o período de instabilidade.
O recorde de 9 milhões de empresas inadimplentes evidencia não apenas um problema financeiro, mas também um desafio econômico mais amplo. Afinal, quando milhões de negócios enfrentam dificuldades para honrar compromissos, os efeitos acabam alcançando empregos, investimentos e a atividade econômica como um todo.





