A véspera da abertura da Copa do Mundo de 2026 trouxe uma mudança profunda para os bastidores do futebol mundial. A Fifa e o sindicato internacional dos atletas, a Fifpro, assinaram um memorando de entendimento histórico com validade até o final de 2031. O foco central do novo documento é proteger os profissionais da bola em escala global, com destaque para a criação de regras e punições severas contra os times que atrasarem o pagamento dos salários de seus elencos.
Como será a punição em caso de atraso
Pela nova regra, as diretorias que não cumprirem os compromissos em dia vão enfrentar consequências esportivas e financeiras muito mais rápidas. A principal novidade é que as dívidas pendentes com os jogadores passarão a acumular juros de 8%. O sindicato explicou em nota oficial que “quando os clubes não pagarem os salários e as autoridades nacionais do futebol não tomarem providências, os jogadores terão um canal mais direto para recorrer à FIFA”, garantindo que os pagamentos sejam cobrados independentemente do país onde o profissional atua.
Além do combate aos atrasos, o acordo mexe na estrutura do sistema de transferências. Jogadores com salários menores, que recebem anualmente menos de 150 mil euros, terão direito a uma fatia direta do valor de suas próprias vendas. O texto institui um repasse financeiro obrigatório de 5% que deverá ser pago pelo clube vendedor direto para a conta do atleta.
Fim da ‘geladeira’: nova regra proíbe clubes de afastar jogadores

O memorando também reprime táticas antigas usadas por dirigentes para forçar negociações ou punir o elenco. O texto proíbe expressamente práticas consideradas abusivas no mercado da bola, como obrigar o profissional a treinar separado do grupo principal, reter o passaporte do trabalhador estrangeiro ou manipular de forma maliciosa os procedimentos de inscrição em campeonatos.
Essa trava de proteção ganha força após o impacto do famoso caso do volante Lassana Diarra nos tribunais europeus. A partir de agora, o jogador que rescindir o contrato por sofrer um tratamento injusto não terá a sua remuneração reduzida ao assinar com um novo time. Se a antiga equipe descumprir as regras, o atleta terá o direito de receber o valor integral do contrato anterior, além de poder acionar a Justiça desportiva para exigir indenizações por danos e conduta abusiva.
Fundo contra falências e controle do calendário de jogos
Para evitar que os atletas fiquem de mãos abanando quando uma agremiação quebra financeiramente, a Fifa anunciou a recriação do seu fundo de apoio. O cofre terá um orçamento de 20 milhões de dólares para socorrer quem atua em clubes insolventes ou falidos até o ano de 2029.
A parceria também garante que o sindicato terá voz ativa nas definições do calendário internacional a partir de 2030. Os representantes dos jogadores vão atuar na elaboração dos períodos de descanso, determinando o tempo ideal de férias entre as temporadas e os intervalos mínimos de recuperação física entre as partidas. Como contrapartida por todas essas concessões trabalhistas e financeiras, a Fifpro concordou em retirar as queixas que movia contra a entidade máxima do futebol na Comissão Europeia





