Milhões de brasileiros confiam diariamente no aplicativo Meu INSS para consultar aposentadorias, solicitar benefícios e acompanhar informações pessoais. Mas uma falha descoberta recentemente acendeu um alerta sobre a segurança desses dados.
O INSS confirmou que um vazamento identificado pela Dataprev, no dia 22 de abril, permitiu o acesso indevido a informações de segurados dentro da plataforma. O caso foi comunicado à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e ainda segue sob investigação técnica.
Segundo apurações divulgadas pela imprensa, o problema acontecia durante solicitações de benefícios como aposentadoria, pensão por morte e auxílio-reclusão. Ao digitar determinados CPFs, o sistema acabava exibindo dados que deveriam permanecer protegidos, incluindo nome completo, data de nascimento e até histórico de empregos em alguns casos.
A dimensão do problema ainda está sendo calculada, mas estimativas apontam que até 1,6 milhão de cadastros possam ter sido afetados. Técnicos envolvidos na análise acreditam que esse número pode chegar perto de 2 milhões.
Como a falha começou a se espalhar
De acordo com informações ligadas à investigação, a vulnerabilidade ganhou repercussão após vídeos circularem nas redes sociais ensinando maneiras de explorar a brecha no sistema.
A suspeita é de que pessoas tenham usado programas automatizados para testar vários CPFs em sequência, aumentando o volume de informações acessadas indevidamente.
Apesar da preocupação, o INSS afirma que o vazamento não permite, sozinho, o saque de benefícios ou a contratação automática de empréstimos consignados. Segundo o órgão, esses procedimentos possuem etapas extras de confirmação e segurança.
Maioria dos dados era de pessoas falecidas
O instituto informou que cerca de 97% dos CPFs envolvidos pertenciam a pessoas já falecidas. Ainda assim, aproximadamente 50 mil registros de segurados vivos teriam sido expostos durante o incidente.
Enquanto a Dataprev finaliza o relatório técnico, a ANPD acompanha o caso. O órgão não divulga detalhes específicos sobre falhas de segurança para evitar novos riscos aos sistemas públicos.
Casos anteriores aumentam preocupação
Esse não é o primeiro episódio envolvendo dados da Previdência. Em 2024, outro problema de segurança atingiu o sistema Suibe, utilizado para armazenar informações de benefícios previdenciários.
Na ocasião, foi descoberto que acessos antigos continuavam ativos mesmo após usuários deixarem determinadas funções, permitindo consultas indevidas.
Especialistas em segurança digital alertam que informações previdenciárias são extremamente valiosas para criminosos, principalmente em golpes financeiros contra aposentados e pensionistas. Por isso, casos como esse aumentam a preocupação sobre a proteção de dados pessoais em plataformas públicas digitais.





