Estrutura clandestina encontrada em Duque de Caxias consumia energia equivalente a 1.200 residências e gerava prejuízo mensal estimado em R$ 310 mil para a concessionária Light
Uma operação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Civil desmontou, nesta segunda-feira, uma central de mineração de criptomoedas que funcionava ligada de forma clandestina à rede elétrica em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O local, localizado no bairro Jardim Gramacho, abrigava 123 computadores de alto desempenho que operavam ininterruptamente, vinte e quatro horas por dia.
Segundo levantamento da Light, esses equipamentos consumiam mensalmente 288 mil kWh de energia, volume equivalente ao gasto de 1.200 casas. O furto de eletricidade para alimentar a estrutura gerava um prejuízo financeiro estimado em R$ 310 mil por mês para a concessionária.
Operação reuniu policiais de quatro delegacias


O galpão foi estourado por agentes da 59ª DP, de Duque de Caxias, e do 15º BPM, também da região, com apoio de policiais da 60ª DP, em Campos Elíseos, e da 66ª DP, em Piabetá. A central funcionava de forma remota, monitorada à distância por meio de câmeras instaladas no local, o que indica um esquema organizado de operação.
A estimativa das autoridades é que os computadores gerassem um faturamento bruto mensal entre R$ 50 mil e R$ 70 mil para os responsáveis pela estrutura. O valor de mercado dos equipamentos encontrados varia entre R$ 400 mil e R$ 650 mil.
A descoberta em Duque de Caxias não é um episódio isolado. No último dia 10, a Polícia Civil já havia encontrado outra mineradora irregular de criptomoedas na Vila do João, dentro do Complexo da Maré, em uma área dominada pelo Terceiro Comando Puro. Naquele caso, os computadores também estavam ligados a gatos de energia elétrica.
Como funciona a mineração que motiva o furto de energia
A mineração de criptomoedas como o bitcoin depende de computadores extremamente potentes, que consomem grandes volumes de eletricidade para resolver problemas matemáticos complexos. A cada dez minutos, em média, um novo bloco de transações precisa ser validado através da blockchain, e máquinas de todo o mundo competem entre si nesse processo conhecido como prova de trabalho. A primeira máquina a resolver o problema matemático ganha o direito de registrar o bloco e recebe uma recompensa em criptomoeda.
Como o processo de mineração consome muita eletricidade, a atividade só se torna lucrativa em locais com energia barata, ou então por meio de ligações clandestinas que driblam a cobrança da concessionária.
Fábrica de plásticos também é flagrada com ligação irregular
Durante as diligências na região, os policiais identificaram outra situação fora da lei: uma empresa de fabricação de plásticos também utilizava uma ligação clandestina de energia. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos na estrutura da mineradora e apurar se há participação de facções do tráfico ou de milícias no esquema de furto.
Quase 3.500 ligações clandestinas identificadas pela Light
O problema vai muito além dos casos isolados. De acordo com a Light, no ano passado e nos quatro primeiros meses deste ano, a concessionária encontrou quase 3.500 ligações clandestinas em sua área de atuação. As ações de fiscalização permitiram recuperar 250 GWh de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 82 mil residências durante um ano inteiro.
Os chamados gatos de luz representam um prejuízo anual de R$ 1,3 bilhão para a concessionária. O número chama atenção pela escala do problema: de cada cem clientes regulares da Light, 36 furtam energia da rede.




