A República Democrática do Congo (RDC) já soma mais de 200 mortes por ebola, pouco mais de um mês depois da declaração oficial do surto.
O Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) confirmou 202 óbitos entre 875 casos registrados nesta quinta-feira (18), o que resulta numa taxa de mortalidade de 23%.
O surto foi declarado em 15 de maio, na província de Ituri, leste do país. A variante em circulação é o vírus Bundibugyo, espécie do ebola para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico aprovado.
Segundo Wessam Mankoula, médico do Africa CDC, o maior obstáculo no momento é o rastreamento de contatos das pessoas infectadas.
Problemas de segurança na região e a dificuldade de acesso a algumas áreas vêm dificultando o trabalho das equipes de resposta, formadas pelo Africa CDC, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por outros parceiros internacionais.
Por que uma epidemia preocupa tanto
A Cruz Vermelha alertou que o surto ainda não atingiu seu pico e pode se estender por até um ano. Bruno Michon, diretor de operações da Federação Internacional da Cruz Vermelha, afirmou que o ponto mais crítico da epidemia ainda está por vir, não para trás.
A região de Ituri enfrenta uma crise humanitária ligada ao conflito entre grupos armados e o governo congolês, com 1,9 milhão de pessoas precisando de ajuda humanitária, ao mesmo tempo que a crise de Ebola.
O deslocamento de refugiados e o trânsito constante de pessoas pela área, que é um polo comercial e de mineração, aumentam o risco de o vírus se espalhar para outras regiões.
O histórico do país com o ebola
Esta é a 17ª vez que a RDC enfrenta um surto de ebola, e o atual começou apenas cinco meses depois do encerramento do anterior, registrado na província do Kasaí.
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que os números oficiais provavelmente representam só uma parte da realidade, já que a capacidade de diagnóstico na região segue limitada.
A OMS classificou o surto como uma emergência de saúde pública de interesse internacional e amplia o apoio aos governos da RDC e de Uganda, país vizinho também afetado, com reforço de vigilância epidemiológica e rastreamento de contatos.




