A escolha dos três anfitriões, Canadá, Estados Unidos e México, ocorreu em 2018, durante o primeiro mandato do presidente americano Donald Trump.
Apesar disso, torcedores canadenses demonstram desconforto em dividir a sede da Copa do Mundo de 2026 com os Estados Unidos, em meio às tensões políticas entre os dois países.
O motivo se deve às ameaças de Trump transformar o Canadá no 51º estado americano e colocou em dúvida a renovação do acordo comercial entre os três países-sede do torneio. Além disso, Trump instaurou tarifas sobre aço, alumínio e automóveis canadenses.
“A Copa do Mundo é sobre unir países. Não sinto que os Estados Unidos sejam um bom exemplo disso neste momento”, disse Catherine Paternal à Reuters, torcedora de 44 anos de Mississauga, cidade próxima a Toronto.
Catherine Thomas, moradora de Oshawa, lembrou que, quando o projeto da Copa começou, Canadá e Estados Unidos ainda eram vistos como aliados próximos.
Nem todo mundo pensa igual
Mauricio Gonzalez, canadense de origem mexicana, defende que as tensões políticas sejam deixadas de lado durante o mês de competição e para ele, o torneio merece ser aproveitado sem as disputas que cercam os três países fora de campo.
Oficialmente, o governo canadense afirma que a preparação conjunta com Estados Unidos e México tem sido positiva, com os três países trabalhando em parceria para garantir o sucesso do evento.
O governo americano também destacou que a Copa exige coordenação entre diferentes autoridades dos três países e a Fifa.
O contexto da tensão
Trump ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre todos os produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos, caso o Canadá seguisse adiante com um acordo comercial fechado com a China.
A ameaça veio depois de o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciar uma parceria estratégica com o governo chinês durante uma visita a Pequim.
Hoje, a maior parte das exportações canadenses para os EUA é isenta de tarifas graças ao acordo USMCA, firmado entre Estados Unidos, Canadá e México; produtos fora do acordo enfrentam tarifa de 35%, com taxas ainda maiores para setores como aço e alumínio.
A abertura da Copa em solo canadense, realizada em Toronto, já havia sido marcada por críticas direcionadas a Trump durante as apresentações musicais.




