A temporada de acerto de contas com o Fisco em 2026 chegou ao fim com uma marca histórica de engajamento, mas também com um sinal de alerta para milhões de contribuintes. Ao todo, mais de 44,4 milhões de brasileiros enviaram suas declarações dentro do prazo legal. No entanto, a Receita Federal confirmou que cerca de 2,2 milhões de pessoas terminaram o prazo retidas na famosa “malha fina” devido a inconsistências nos dados apresentados.
Apesar do número expressivo de retenções, o órgão avalia o cenário com normalidade, apontando que o volume de erros está atrelado a mudanças profundas na transição digital dos sistemas de fiscalização no país.
De acordo com o supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos Fonseca, o principal fator para o represamento de tantas declarações foi a extinção definitiva da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). Com o fim desse documento tradicional, as fontes pagadoras precisaram migrar suas informações para os sistemas do eSocial e da EFD-Reinf.
Essa transição gerou dúvidas e pequenos erros de preenchimento por parte das empresas, gerando divergências automáticas nos computadores do Fisco quando cruzados com os dados dos trabalhadores.
“Observa-se uma tendência de queda ao longo da temporada de 2026. Conforme as empresas foram corrigindo as informações cedidas, a malha reanalisava a declaração. Assim, caso o contribuinte ainda esteja detido e tenha constatado que as suas informações estão corretas, basta ele esperar. As empresas irão corrigir”, esclarece Fonseca.
A evolução da malha fina ao longo de 2026

O volume de declarações retidas flutuou drasticamente ao longo dos meses à medida que o processamento de dados avançava. O volume totalizado no encerramento de maio representa 4,97% do total de documentos entregues, uma taxa levemente superior aos 4,68% registrados no exercício de 2025, mas justificada pelo acréscimo de 1,4 milhão de novos contribuintes na base do e-Fisco.
| Período de Análise (2026) | Percentual de Declarações Retidas | Cenário do Processamento |
| Final de Março | 10,78% | Pico de inconsistências por falta de dados das empresas. |
| Metade da Temporada | 6,61% | Queda gradual com as primeiras retificações automáticas. |
| Final de Maio | 4,97% | Indicador de fechamento (2,2 milhões de retidos). |
O que é a malha fiscal e como resolver a pendência
A malha fina funciona como uma triagem eletrônica. Assim que a declaração é enviada, os sistemas comparam as informações digitadas pelo cidadão com os relatórios fornecidos por bancos, planos de saúde, imobiliárias e empregadores. Se houver qualquer centavo de diferença ou se o contribuinte obrigado a declarar deixar de enviar seus dados, o documento vai para uma análise humana aprofundada.
Caso o erro tenha sido do próprio contribuinte, a situação pode ser resolvida rapidamente por meio de uma declaração retificadora, sem a necessidade de pagar multas se o ajuste for feito antes de qualquer notificação oficial da Receita.
Passo a passo para sair da malha fina pelo e-CAC:
- Acesso ao sistema: Entre no portal e-CAC utilizando suas credenciais gov.br, CPF ou código de acesso.
- Seção de monitoramento: No menu localizado à esquerda da tela, clique na opção “Meu Imposto de Renda”.
- Identificação do erro: Na aba de declarações, selecione o exercício de 2026 e verifique o extrato para identificar qual ficha gerou a inconsistência.
- Abertura do documento: No canto direito da tela, clique no botão “Retificar Declaração”.
- Correção de dados: O sistema abrirá uma cópia exata do documento original. Vá até a ficha apontada com erro (como rendimentos tributáveis ou despesas médicas), faça a devida alteração e clique em “Finalizar Declaração” para reenviar.
A Receita Federal permite que o contribuinte faça a retificação quantas vezes forem necessárias para corrigir os dados. O monitoramento constante do e-CAC evita o congelamento do CPF e garante que o cidadão entre nos lotes residuais de restituição o quanto antes.




