Quando a bola começa a rolar em uma Copa do Mundo, poucos torcedores imaginam que parte do espetáculo começou a ser construída meses, e até anos, antes, em fazendas especializadas na produção de gramados esportivos.
Muito além de um detalhe estético, a grama tem influência direta na velocidade do jogo, na precisão dos passes e na segurança dos atletas. Em partidas decididas por centímetros, a qualidade da superfície pode fazer diferença no desempenho das equipes.
Essa relação entre agricultura e futebol estará presente também na Copa do Mundo de 2026. Duas variedades desenvolvidas pela empresa brasileira Itograss serão utilizadas em estádios que receberão jogos do torneio nos Estados Unidos e no México. A Tifway 419 estará no Hard Rock Stadium, em Miami, enquanto a North Bridge será usada no Arrowhead Stadium, em Kansas City, e no Estádio Akron, em Guadalajara.
Tecnologia que começa no campo
Apesar da presença da tecnologia brasileira, a grama não é exportada para os estádios da competição. Segundo Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos da Itograss, questões logísticas e fitossanitárias tornam inviável transportar o material produzido no Brasil. Ainda assim, o conhecimento desenvolvido por aqui estará representado nos campos da Copa.
A produção de um gramado esportivo exige um trabalho semelhante ao de qualquer outra cultura agrícola. O ciclo pode durar entre 12 e 18 meses e envolve irrigação constante, adubação, podas frequentes e monitoramento fitossanitário. Além disso, as variedades passam por anos de pesquisa genética para atender às exigências do futebol moderno.
Nos últimos anos, os gramados evoluíram junto com o esporte. Hoje, a prioridade é oferecer uma superfície uniforme, capaz de garantir segurança aos jogadores e um comportamento previsível da bola durante os 90 minutos. Em grandes estádios, equipes técnicas acompanham indicadores como umidade, densidade da grama e altura de corte.
Até a irrigação realizada pouco antes das partidas tem uma função específica. Segundo Santos, muitas vezes ela não serve para nutrir o gramado, mas para aumentar a velocidade da bola e favorecer a dinâmica do jogo.
Para quem acompanha a partida da arquibancada ou pela televisão, tudo isso costuma passar despercebido. Mas por trás de cada gramado de alto nível existe uma cadeia produtiva sofisticada que começa muito antes do apito inicial e ajuda a construir o espetáculo dentro das quatro linhas.




