A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou diretrizes rígidas para conter o avanço do hantavírus, após o desembarque de passageiros de um navio de cruzeiro. Como não existe um tratamento específico ou vacina para a doença, a estratégia da agência internacional foca no isolamento preventivo e no monitoramento rigoroso de sintomas. A recomendação principal é que as pessoas expostas permaneçam em quarentena por um período de 42 dias, seja em domicílio ou em clínicas especializadas.
A escolha do prazo de seis semanas tem uma base científica clara. O período de incubação do hantavírus pode chegar a oito semanas, mas no caso específico do vírus Andes, a manifestação costuma ocorrer em até 42 dias. Por isso, a vigilância ativa durante esse intervalo é considerada essencial para evitar que novos focos de transmissão surjam em espaços fechados ou comunidades locais.
Sintomas e grupos de alto risco

A OMS orienta que passageiros e tripulantes monitorem sinais precoces que podem ser confundidos com outras enfermidades. Os principais sintomas incluem dor de cabeça, febre, dores musculares e calafrios, além de problemas gastrointestinais como náuseas e vômitos. Caso surja qualquer fadiga respiratória repentina, a recomendação é buscar ajuda médica imediata e manter o isolamento total até que a avaliação seja concluída.
Quem deve manter a vigilância redobrada?

De acordo com os protocolos internacionais, são considerados contatos de alto risco e devem seguir a quarentena de 42 dias:
- Contatos próximos: parceiros íntimos e colegas que compartilharam a mesma cabine no navio.
- Exposição prolongada: pessoas que permaneceram em espaços fechados com infectados por longos períodos.
- Profissionais de saúde: equipes que atenderam pacientes sem o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
- Materiais biológicos: pessoas que manusearam fluidos corporais ou materiais contaminados sem a proteção adequada.
Para esses perfis, o acompanhamento deve ser diário. Por outro lado, a organização avalia que, até o momento, não há necessidade de testes laboratoriais sistemáticos ou quarentena para contatos de baixo risco.
Divergências nos protocolos internacionais
Apesar das orientações globais da OMS, a adoção das medidas varia entre as nações. Países como Alemanha, Reino Unido, Suíça e Grécia optaram por um protocolo ainda mais conservador, estabelecendo 45 dias de isolamento. Em contraste, autoridades de saúde dos Estados Unidos indicaram que os passageiros evacuados serão avaliados individualmente, sem a obrigatoriedade de uma quarentena padrão para todos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a falta de uniformidade nos protocolos pode representar riscos sanitários. A transparência na comunicação entre os países é vista como a melhor ferramenta para sensibilizar as populações sobre os riscos. Enquanto a ciência busca soluções definitivas, o controle da higiene das mãos e o distanciamento social continuam sendo as defesas mais eficazes contra a propagação do vírus.




