A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, registrou uma alta de 0,67% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo IBGE. O número mostra uma desaceleração em relação ao mês de março, quando o índice havia atingido 0,88%. Apesar desse recuo no ritmo mensal, o cenário exige atenção: no acumulado de 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% para 4,39%, aproximando-se do teto da meta.
Os grupos de Alimentação e Saúde foram os grandes responsáveis por segurar o índice em patamares elevados, concentrando cerca de dois terços de toda a alta do mês. Segundo o IBGE, a pressão nos alimentos reflete a menor oferta no campo e o aumento nos custos de frete, impulsionado pelos combustíveis.
O que mais subiu no prato do brasileiro em abril:

- Cenoura: +26,63%
- Leite longa vida: +13,66%
- Cebola: +11,76%
- Tomate: +6,13%
- Carnes: +1,59%
O peso dos remédios e o alívio nas passagens

Além da comida, o setor de Saúde e Cuidados Pessoais também impulsionou o índice para cima. O reajuste anual de medicamentos, autorizado no início de abril, foi o principal motor dessa alta. Itens de higiene pessoal e perfumes também acompanharam a tendência, tornando o cuidado pessoal o segundo gasto mais pesado do mês.
Por outro lado, alguns setores ajudaram a frear uma subida ainda maior da inflação. O destaque positivo ficou com o grupo de Transportes, que praticamente não saiu do lugar graças a uma queda expressiva em itens específicos.
Onde a inflação deu uma trégua:
- Passagens aéreas: -14,45% (o maior alívio do mês)
- Café moído: -2,30%
- Frango em pedaços: -2,14%
- Gás veicular: -1,24%
Gasolina segue como impacto individual

Mesmo com a queda nas passagens aéreas, o transporte terrestre ainda preocupa. A gasolina subiu 1,86% e continua sendo o item que, isoladamente, mais impacta o custo de vida. Como o combustível impacta o frete, o aumento acaba chegando de forma indireta em quase todos os outros produtos consumidos pela população.
A meta de inflação para 2026 está fixada em 3%, com um limite de tolerância de até 4,5%. Com o acumulado atual de 4,39%, o país opera próximo do limite máximo, o que deve manter o Banco Central e o mercado financeiro em alerta para as próximas medições.




