Oito cidades brasileiras encerraram o programa de tarifa zero no transporte público depois de adotá-lo, segundo um estudo divulgado nesta semana pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
As cidades que voltaram a cobrar passagem são Jaboticabal, Monte Mor, Paulínia e Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo; Picos, no Piauí; Porto Real, no Rio de Janeiro; e Tijucas do Sul e Ubiratã, no Paraná.
A maioria tem entre 18 mil e 111 mil habitantes, e metade está em território paulista.
Monte Morom tem cerca de 65 mil moradores e o município manteve a gratuidade total por menos de dois anos e encerrou o benefício em 2025 por falta de fôlego financeiro. Hoje a passagem custa R$ 6 na cidade, com isenção para quem está inscrito no CadÚnico.
Por que o modelo tem dificuldade de se sustentar
O Brasil soma hoje 143 municípios com tarifa zero total, segundo a mesma pesquisa. O número cresceu rápido entre 2021 e 2023, quando 70 cidades aderiram ao formato. Em 2024, ano de eleições municipais, apenas 8 novas cidades entraram para a lista. Em 2025, o ritmo voltou a subir, com 21 adesões.
Para Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU, o problema não está na ideia em si, mas na falta de planejamento:
“A tarifa zero não se sustenta como medida isolada ou populista. Precisamos de planejamento operacional, fontes estáveis de custeio e um pacto federativo que reúna União, estados e municípios”, afirma.
O custo atual do sistema de ônibus urbano no país é de R$ 75,7 bilhões por ano.
Se a gratuidade fosse adotada em todo o território nacional, a frota precisaria crescer pelo menos 20% para atender a nova demanda, o que levaria o gasto total a algo entre R$ 90,7 bilhões e R$ 100 bilhões anuais, segundo os cálculos da entidade.
O que pode mudar com o governo federal
Enquanto prefeituras recuam, o governo federal estuda criar um modelo nacional de tarifa zero.
O Ministério da Fazenda conduz, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um estudo de viabilidade econômica para um programa inspirado no SUS, batizado informalmente de “SUS do Transporte”, com custo estimado em R$ 65 bilhões por ano para a União.
Paralelamente, tramita na Câmara dos Deputados, uma proposta do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), que propõe substituir o desconto de 6% do vale-transporte por uma contribuição fixa das empresas.
Já proposta da deputada Duda Salabert (PDT-MG), quer alterar a Política Nacional de Mobilidade Urbana para dar segurança jurídica a prefeituras que adotarem o sistema gratuito. Os dois projetos ainda precisam passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado.





