As operadoras de planos de saúde começaram 2026 mantendo resultados robustos, mesmo diante do aumento dos custos assistenciais. Dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o setor faturou R$ 101 bilhões no primeiro trimestre do ano e acumulou lucro líquido de R$ 6,3 bilhões no período.
Embora o resultado tenha ficado abaixo dos R$ 7,1 bilhões registrados nos três primeiros meses de 2025 — o maior valor da série histórica em termos nominais —, o desempenho continua elevado e representa cerca de 6,2% de toda a receita obtida pelas empresas.
Outro dado que chama atenção é que quase oito em cada dez operadoras encerraram o trimestre no azul. Ao todo, 604 empresas, o equivalente a 77,7% do mercado, registraram resultado positivo, repetindo praticamente o mesmo percentual observado no ano passado.
Custos aumentam, mas setor mantém rentabilidade
As operadoras médico-hospitalares, que concentram a maior parte dos beneficiários do país, responderam por R$ 6 bilhões do lucro total registrado no trimestre.
Mesmo com o avanço das despesas assistenciais, o resultado operacional do segmento permaneceu positivo em R$ 3,4 bilhões. Esse indicador considera apenas receitas e gastos diretamente relacionados à prestação dos serviços de saúde.
A sinistralidade, que mede quanto das mensalidades é utilizado para custear consultas, exames, internações e tratamentos, alcançou 81%. O índice subiu 1,8 ponto percentual em comparação ao mesmo período de 2025.
Na prática, isso significa que, a cada R$ 100 arrecadados com mensalidades, cerca de R$ 81 foram destinados ao pagamento de despesas médicas e hospitalares. Apesar da alta, o percentual ainda é o segundo menor registrado desde 2020.
Aplicações financeiras reforçam ganhos
As operadoras de pequeno porte apresentaram uma das maiores evoluções do período. Segundo a ANS, o resultado operacional dessas empresas mais que triplicou em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
Outro fator que ajudou a sustentar os resultados foi o cenário de juros elevados. As aplicações financeiras das operadoras médico-hospitalares somavam R$ 140,5 bilhões ao final de março.
Somente as receitas financeiras geraram R$ 3,6 bilhões no trimestre, repetindo o recorde nominal registrado no mesmo período de 2025 e reforçando o peso das aplicações nos resultados do setor.





