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Países sul-americanos aparecem entre os piores do mundo para os trabalhadores

Por Isabela Ramos
02/06/2026
Países sul-americanos aparecem entre os piores do mundo para os trabalhadores

Foto: En Marcha.

O cenário global para quem vive da própria força de trabalho enfrenta uma de suas crises mais severas, e a América Latina está no centro desse turbilhão. O Índice Global dos Direitos 2026, relatório anual elaborado pela Confederação Sindical Internacional (CSI), revelou que três nações latino-americanas, Argentina, Equador e Panamá, entraram oficialmente na lista dos 10 piores países do mundo no quesito respeito aos direitos laborais.

O estudo, que avalia 151 países com base em normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), acende um alerta vermelho sobre o avanço de medidas repressivas e o desmantelamento de garantias históricas na região.

O tombo histórico da Argentina e o cerco no Equador

Argentina. Foto: Luis Robayo/AFP

A grande surpresa negativa do relatório deste ano foi o colapso acelerado das garantias legais na Argentina. O país sofreu uma queda sem precedentes, despencando da categoria 3 para a categoria 5 em apenas 24 meses. Com isso, o território argentino ingressou no nível mais crítico do índice, classificado como um local onde os “direitos não estão garantidos”.

O relatório aponta o dedo diretamente para as reformas econômicas e de segurança do atual governo:

  • Protocolo antibloqueio: A CSI cita que a implementação de medidas de força policial para conter manifestações e piquetes de estradas abriu margem para o uso indiscriminado da violência estatal contra trabalhadores.
  • Aversão sindical: O ambiente institucional foi classificado como abertamente hostil e repressivo para a organização de greves.

No Equador, que já figurava no topo da lista dos piores mercados, a situação se agravou após a promulgação de uma lei, em 2025, que permite às autoridades realizar vigilância digital e interceptar comunicações privadas de cidadãos e líderes de classe sem a necessidade de uma ordem judicial prévia.

O mapa dos direitos trabalhistas na América Latina

Foto: Pexels

A divisão dos países pelo índice mostra que a instabilidade é a regra, e não a exceção, no continente. Para além do “top 10” dos piores mercados, a maior parte das economias vizinhas sofre com falhas estruturais profundas.

Veja como a região ficou fragmentada no levantamento de 2026:

  • Grupo 5 (Direitos não garantidos): Argentina, Equador e Panamá. Dividem o espaço com nações sob regimes de exceção ou severas crises humanitárias, como Mianmar, Belarus, Turquia e Egito.
  • Grupo 4 (Violações sistemáticas): Brasil, Costa Rica, El Salvador e Peru. O mercado brasileiro permanece estagnado nesta zona cinzenta, onde, apesar das leis existentes, ocorrem falhas graves e repetitivas de fiscalização e cumprimento.
  • Grupo 3 (Violações regulares): Bolívia, Chile, Paraguai e México.
  • Grupo 1 (Violações esporádicas): Uruguai. O país vizinho foi classificado como a única e grande “exceção” da América Latina, figurando ao lado de potências europeias como Alemanha, Noruega e Áustria como um dos melhores lugares do planeta para se trabalhar.

A região mais letal do planeta para o trabalhador

Foto: Pexels

Para além da perda de poder de compra ou entraves para a criação de sindicatos, a América Latina carrega um fardo muito mais pesado: continua sendo a região geograficamente mais perigosa do mundo para representantes de classes trabalhadoras, registrando casos de execuções extrajudiciais em países como o México e a Colômbia.

“O Índice 2026 revela que a crise dos direitos dos trabalhadores já não se limita a alguns poucos países: ela agora está no centro das democracias. Os governos já não protegem os trabalhadores e, em alguns casos, contribuem para enfraquecer seus direitos”, desabafou Luc Triangle, secretário-geral da CSI.

Os dados gerais do continente mostram que em 90% dos países o direito de greve foi cerceado de alguma forma nos últimos meses, e em quase metade das nações avaliadas houve registro de trabalhadores ou líderes sindicais detidos e encarcerados por participarem de mobilizações populares.

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Isabela Ramos

Isabela Ramos

No universo da comunicação há 6 anos, depois de formada em Jornalismo, atuo como redatora e social media, movida pela paixão de transformar informações em conexão.

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