O Rio Grande do Sul interrompeu a sequência de crescimento na abertura de postos de trabalho e fechou o mês de abril no vermelho. De acordo com os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira (28), o estado registrou um recuo na geração de vagas formais. Foram 134,5 mil contratações diante de 135,9 mil demissões, resultando na perda líquida de 1.396 carteiras assinadas. O movimento colocou o território gaúcho ao lado de Alagoas e Rio Grande do Norte como as únicas três regiões do país a fecharem o período com saldo negativo.
Apesar do tombo pontual em abril, o cenário econômico do estado no acumulado do ano ainda respira aliviado, sustentando um saldo positivo de 45,4 mil novos postos de trabalho abertos desde janeiro.
O peso da sazonalidade: o fim da safra da maçã lidera as quedas

O grande vilão do mês foi o setor da agropecuária, que registrou a maior retração do período, com saldo negativo de 3.120 postos de trabalho. No entanto, lideranças do setor e especialistas acalmaram o mercado, explicando que o resultado não sinaliza uma crise estrutural, mas sim um movimento sazonal previsível ligado ao calendário agrícola.
O fator safra: “É bastante comum nessa época do ano termos um número maior de dispensas do que de contratações, tem um fundo completamente sazonal. No agro, isso acontece em abril e maio. É quando a safra se encerra, e todas aquelas pessoas que são safristas e que foram contratadas com o único objetivo da colheita são dispensadas”, esclarece Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.
O reflexo direto disso foi sentido na cidade de Vacaria, que liderou as demissões estaduais com saldo negativo de 880 vagas, motivado pelo encerramento do ciclo da colheita da maçã. O secretário estadual do Trabalho, José Scorsatto, reforçou que essa oscilação é característica da cultura econômica gaúcha e previu uma retomada natural das contratações para a segunda metade do ano.
Análise por setor: saiba onde o mercado avançou e onde recuou
Enquanto o campo e o comércio amargaram perdas, os setores de serviços e a atividade industrial operaram como amortecedores da economia gaúcha, impedindo que o saldo negativo estadual fosse ainda maior.
Confira o balanço detalhado de movimentações por segmento no mês:
| Setor da Economia | Admissões | Desligamentos | Saldo Líquido | Impacto no Mercado |
| Serviços | 52.805 | 51.513 | + 1.292 | Maior alta do mês, puxada por cidades como Canoas. |
| Indústria | 31.175 | 30.061 | + 1.114 | Crescimento positivo, mas ainda abaixo das expectativas. |
| Construção | 8.803 | 8.772 | + 31 | Estabilidade com leve viés de alta na atividade. |
| Comércio | 35.715 | 36.428 | – 713 | Prejudicado pelos juros altos e endividamento das famílias. |
| Agropecuária | 6.071 | 9.191 | – 3.120 | Maior queda do estado devido ao fim do ciclo dos safristas. |
A economista e professora da Feevale, Lisiane Fonseca da Silva, pontua que o comércio vem sofrendo o impacto direto de fatores macroeconômicos severos. A manutenção da taxa de juros em patamares elevados somada ao alto nível de endividamento da população corrói o poder de compra das famílias, reduzindo o movimento nas lojas e forçando os empresários a enxugarem os quadros de funcionários.
O contraste com o cenário nacional
O recuo vivido pelo Rio Grande do Sul caminha na contramão do restante do país. No contexto nacional, o Brasil fechou o mês de abril com a criação de 85.888 novos empregos de carteira assinada, impulsionado fortemente pelo setor de serviços nas demais regiões.
No mapa gaúcho, a resistência econômica ficou por conta de municípios como Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, que conseguiram contrariar a média estadual e abriram centenas de novos postos de trabalho graças ao fôlego pontual de suas indústrias locais. A expectativa do governo do estado é que, passadas as rescisões contratuais dos trabalhadores do campo, o mercado volte a se estabilizar nos próximos meses.





