A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou as recomendações sobre o uso de telas por crianças e adolescentes, reforçando limites de tempo por faixa etária.
O documento, batizado de “#MenosTelas #MaisSaúde”, revisa orientações lançadas originalmente em 2016 e segue alinhado às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além disso, também há disponível um guia sobre uso de dispositivos digitais por parte do governo brasileiro.
Segundo a SBP, crianças de zero a dois anos não devem ter contato com telas, nem mesmo de forma passiva. Entre dois e cinco anos, o limite recomendado é de uma hora por dia, sempre com supervisão dos responsáveis.
De seis a dez anos, o teto sobe para uma a duas horas diárias, no máximo.
Para adolescentes entre 11 e 18 anos, a recomendação é de duas a três horas por dia, e a orientação expressa é nunca deixar o uso “virar a noite”. Para todas as idades, a SBP recomenda nada de telas durante as refeições e desconexão de uma a duas horas antes de dormir.
O que os dados mostram
A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, mostrou que 95% das crianças entre nove e 17 anos já estavam conectadas à internet no país, totalizando 25,5 milhões de usuários nessa faixa etária.
O mesmo levantamento revelou que 24% dos entrevistados tiveram o primeiro acesso à internet até os seis anos de idade, e 63% até os dez anos.
Segundo a SBP, esse uso antecipado está associado a riscos como dependência digital, irritabilidade, ansiedade, depressão e transtornos de déficit de atenção e hiperatividade.
A médica Evelyn Eisenstein, membro do Grupo de Trabalho de Saúde Digital da SBP e uma das autoras do manual, alerta especificamente contra a prática de oferecer o celular dos pais para distrair bebês, chamada de distração passiva.
“O olhar, a expressão facial, todo esse contato com a família, nada substitui o afeto humano”, afirma a pediatra.
Nova lei entrou em vigor
Em março de 2026, entrou em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), legislação brasileira que estabelece boas práticas de proteção a crianças e adolescentes no ambiente online.
A SBP publicou em dezembro de 2025 um manual orientando pediatras sobre como aplicar a nova lei na prática clínica.
Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou em fevereiro de 2026 uma declaração própria sobre a relação entre crianças, jovens e ecossistemas digitais: ambos defendem restrição ao uso de redes sociais por menores, incluindo barreiras técnicas que impeçam o acesso antes da idade mínima permitida em cada plataforma.




