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Bolha da IA estoura e multinacionais limitam investimentos na tecnologia

Por Isabela Ramos
22/06/2026
Bolha da IA estoura e multinacionais limitam investimentos na tecnologia

Foto: Pascal Rossignol

A era do uso ilimitado e gratuito da inteligência artificial generativa nas grandes corporações chegou ao fim, abrindo espaço para um forte choque de realidade financeira. Gigantes globais como Amazon, Walmart, Uber e Meta começaram a puxar o freio de mão e a impor restrições severas ao uso dessas ferramentas por seus funcionários. O movimento, revelado pelo jornal Financial Times, mostra que as despesas com processamento de dados cresceram muito mais rápido do que o previsto, forçando os diretores financeiros a transformarem o entusiasmo com a IA em um rígido controle de orçamento.

O caso da Uber e o exemplo prático do problema

O impacto no bolso das empresas ficou evidente após a mudança tecnológica dos simples chatbots para os chamados agentes de IA, sistemas mais complexos que realizam fluxos de trabalho inteiros de forma automatizada, mas que exigem um poder de processamento computacional imenso.

A Uber se tornou um dos exemplos mais claros dessa nova política de contenção, já que a companhia simplesmente esgotou todo o seu orçamento de inteligência artificial previsto para o ano de 2026 logo nos primeiros meses do ano. Como solução de emergência, a diretoria precisou fixar um teto máximo de US$ 1.500 mensais por funcionário para o consumo de créditos em ferramentas de IA. O Walmart seguiu um caminho parecido, aplicando bloqueios e limites em seus sistemas internos após registrar uma explosão de gastos com plataformas que auxiliam seus programadores a escrever códigos.

O fim da assinatura fixa e o peso dos tokens

Por muito tempo, o mercado corporativo foi habituado à lógica de que a inteligência artificial era barata ou que estava inclusa em pacotes de assinatura fixa. No entanto, os principais laboratórios de tecnologia mudaram o modelo de negócios e passaram a cobrar estritamente por tokens (as frações de palavras ou códigos processados pelos sistemas). Com essa cobrança dinâmica, cada comando inútil enviado por um funcionário virou um custo real na fatura da empresa.

“Consumidores e empresas foram ensinados que a IA é barata ou gratuita, e esse definitivamente não é o caso.”
— Costi Perricos, líder global de IA generativa da Deloitte.

Até mesmo os líderes do setor já reconhecem o problema. O CEO da OpenAI, Sam Altman, admitiu recentemente que o controle de despesas com a tecnologia se tornou um dos maiores desafios de seus clientes comerciais em 2026, um tema que antes quase nunca entrava na mesa de negociações.

Uso sem propósito e a guerra internacional de infraestrutura

A ordem geral nas multinacionais agora é cortar o desperdício. A Amazon e a Meta, por exemplo, emitiram comunicados orientando seus times de engenharia a evitarem o uso de ferramentas de IA sem uma finalidade de negócio muito clara. A decisão veio após as empresas descobrirem que funcionários estavam criando robôs e agentes automatizados apenas para inflar suas métricas individuais em rankings internos de produtividade.

Esse freio operacional tenta mitigar uma crise de infraestrutura que se desenha no horizonte. Um relatório do Goldman Sachs apontou que a popularização dos agentes de IA pode multiplicar por 24 vezes o consumo global de tokens até 2030, o que deve agravar a escassez de chips e pressionar o fornecimento de energia no mundo.

De olho nessa vulnerabilidade, empresas da China começaram a ganhar mercado em 2026. Dados da plataforma OpenRouter indicam que os modelos chineses superaram os americanos em volume de uso de tokens neste ano, impulsionados por sistemas mais eficientes e energia mais barata, o que permite aos laboratórios asiáticos cobrarem preços bem menores do que os concorrentes dos Estados Unidos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Isabela Ramos

Isabela Ramos

No universo da comunicação há 6 anos, depois de formada em Jornalismo, atuo como redatora e social media, movida pela paixão de transformar informações em conexão.

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