O surto de ebola na República Democrática do Congo registrou o maior número de casos confirmados no primeiro mês de qualquer surto da doença na história do continente africano.
Mais de mil pessoas foram infectadas e 267 morreram desde que o alerta foi declarado em 15 de maio, segundo Abdirahman Mahamud, representante da OMS, em coletiva em Genebra nesta terça-feira (23).
O vírus circulava há semanas antes de ser identificado porque os equipamentos disponíveis no local só reconheciam a variante Zaire do ebola. A cepa em circulação é o Bundibugyo, para a qual não existe vacina nem tratamento aprovado.
O possível paciente zero, um enfermeiro de Bunia, apresentou os primeiros sintomas em 24 de abril, mas a OMS só foi notificada em 5 de maio, e o diagnóstico foi confirmado laboratorialmente em 14 de maio.
Por que o Bundibugyo preocupa tanto
Bundibugyo é a variante mais rara do ebola e foi identificada pela primeira vez apenas em 2007, num surto em Uganda. Antes do atual, só havia dois surtos documentados com essa cepa: o ugandense de 2007 a 2008, com 56 casos e 37 mortes, e outro em Isiro, na própria RDC, em 2012, com 57 casos e 29 óbitos.
O surto atual já é maior do que os dois anteriores somados, a taxa de mortalidade estimada para a cepa está entre 25% e 50%, segundo a OMS. Ao contrário da variante Zaire, para a qual foram desenvolvidas as vacinas Ervebo e a combinação Zabdeno com Mvabea, nenhuma dessas imunizações foi aprovada para o Bundibugyo.
Campos de refugiados viram novo foco
Casos foram confirmados em pelo menos três campos superlotados de deslocados internos no leste do país. Ao todo, 25 infecções e 14 mortes foram registradas nesses locais, de acordo com Abdoulaye Wone, da Organização Internacional para as Migrações.
Infelizmente o país passa por um momento delicado, grupos armados controlam parte dos territórios onde os atendimentos precisam ser realizados. O vírus também cruzou a fronteira: Uganda registrou 19 casos confirmados e 2 mortes.
Mahamud afirmou que a resposta internacional precisa ser ampliada com urgência. A Cruz Vermelha alerta que o pico da epidemia ainda não foi atingido e que o surto pode durar até um ano.





