Pouco mais de um mês após realizar a maior abertura de capital da história, a SpaceX enfrenta seu primeiro grande teste na bolsa. As ações da empresa de exploração aeroespacial de Elon Musk caíram abaixo do preço de lançamento pela primeira vez, gerando preocupação entre os investidores que apostaram no ativo logo no início.
Durante as negociações, os papéis registraram queda de 0,91%, sendo cotados a US$ 134,84, abaixo dos US$ 135 fixados no IPO. A desvalorização recente reduziu o valor de mercado da companhia de forma expressiva: no pico, no mês passado, a avaliação superou US$ 2,6 trilhões, ultrapassando temporariamente gigantes como Microsoft e Amazon. Agora, o valor recuou para cerca de US$ 1,75 trilhão. Desde que foi incluída no índice Nasdaq 100, a SpaceX acumula queda de aproximadamente 13%.
O que explica a queda

Analistas apontam que a reviravolta não tem uma única causa. Muitos investidores que entraram cedo no negócio estão realizando lucros, vendendo suas posições para garantir o retorno financeiro. A empresa também captou recentemente US$ 25 bilhões no mercado de títulos para financiar sua infraestrutura de inteligência artificial, gerando debates em Wall Street sobre o tempo de retorno desse investimento.
A perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve tende a penalizar empresas de tecnologia com valuations muito elevados, e críticos lembram que a SpaceX registrou prejuízo de US$ 4,9 bilhões no ano passado, com muitos projetos de longo prazo ainda sem validação comercial.
“Há um fator importante em jogo: muitas pessoas estão posicionadas na ação e parte delas, ou talvez um número significativo, quer realizar liquidez, o que está exercendo forte pressão sobre o papel”, explicou Justus Parmar, presidente-executivo da Fortuna Investments, investidora da SpaceX.
Os próximos meses devem ser decisivos. A divulgação do primeiro balanço trimestral da SpaceX como empresa de capital aberto está prevista para a primeira semana de agosto. Logo depois, termina o primeiro período de lock-up do IPO, o que libera funcionários e acionistas antigos para vender suas participações, o que pode aumentar ainda mais a oferta de papéis no mercado.
Enquanto isso, a companhia segue com o desenvolvimento técnico em ritmo acelerado. O mercado acompanha os preparativos para o 13º voo de teste da Starship, o superfoguete considerado vital para reduzir os custos de lançamento e viabilizar projetos como centros de dados em órbita e missões lunares tripuladas.









