União de Bairros defende Diário Oficial eletrônico de graça

Por 30 de agosto de 2021

A sessão da Câmara de Vereadores da tarde desta segunda-feira contou com a participação do presidente do Conselho Fiscal da União Cachoeirense das Associações de Bairros, Ubiratan Oliveira de Freitas. Usando o espçao da Tribuna Popular, Freitas tratou da Proposta de Emenda à Lei Orgânica Municipal que prevê a implantação do Diário Oficial eletrônico gratuito pela Prefeitura. “Nós somos totalmente contra rasgar esse dinheiro. Vamos calçar ruas. A iluminação tem problemas. Se olharmos a Constituição, todo poder emana do povo. Mas não foi consultado nos bairros o que o povo acha”, acentuou o representante da entidade. “O povo pede para vocês votarem com a consciência. Foi para isso que botaram vocês aqui. Que cheguem em casa e digam que perdeu lutando, mas falando para um filho que perdeu fazendo o que era certo. Perdeu agarrado no fuzil”, completou.

A pauta tomou conta do debate entre os vereadores também. Em especial pelo adiamento da votação em torno da proposta que estava inicialmente prevista para a sessão desta segunda-feira. No entanto, em função da denúncia de ameaças sofridas pela vereadora Daniela Santos, a decisão do presidente da Câmara, Luis Paixão, foi em adiar a votação para o próximo dia 6.

A reunião do Legislativo Municipal contou com a volta do agora ex-secretário municipal da Saúde, Marcelo Figueiró. “Tem gente que dizia que eu não podia sair da Câmara para ir para a Secretaria da Saúde. Agora, essas mesmas pessoas dizem que eu não podia voltar”, destacou o emedebista no seu retorno.

O ex-titular da pasta da Saúde foi questionado pelo vereador Eduardo Moyses, do Podemos. O parlamentar lembrou a tomada de medidas restritivas no domingo, em função do combate contra a pandemia de Covid em Cachoeira do Sul. “Recebi com surpresa que o colega Marcelo Figueiró viria para participar da votação da Pelom. Acho engraçado se os números da pandemia não estão bons. Pega mal sair da secretaria para votar projeto do seu interesse”, enfatizou Moyses. “O que estava sendo feito, continuará sendo feito. E vou voltar sempre que quiser. Não vai ser o senhor que vai me dizer quando voltar”, retrucou Figueiró.

Votação adiada

A decisão de adiar a votação ocorreu após análise de documentação encaminhada pela vereadora e presidente da Comissão Especial da Pelom, Carolina Larrondo, do Progressistas. “Não queria prejudicar a votação no dia de hoje. Agradeço ao presidente acatar meu pedido. Não fui eu quem solicitou o adiamento”, esclareceu.

Já Telda Assis, do PT, classificou o ato sofrido pela também vereadora Daniela Santos, do PL. “Ato de covardia que a gente não pode compactuar. Temos ideias divergentes. Estou solidária enquanto mulher e vereadora”, salientou.

Durante a sessão, a vereadora Daniela Santos descreveu a situação que ocorreu na frente de sua residência. “Momento difícil até para me expressar. Estou com abalo emocional. Era uma pessoa aos berros. Como muitos pensam que somos o sexo frágil, decidiu ir na minha casa. Quando percebeu que eu tinha chamado a Brigada Militar, bateu em disparada”, lembrou. Ainda de acordo com a vereadora, está sob sua posse imagens que registraram o momento que descreveu. “Jamais chamaria a Brigada Militar se realmente não tivesse acontecido. Não gostaria que tivesse sido mudado o dia da votação da Pelom. Acho que é só adiar”, considerou. “Não vou fazer boletim de ocorrência por enquanto”, finalizou.

O vereador Magaiver Dias, do PSDB, que foi relator na Comissão Especial da Pelom, lamentou o ocorrido. “Também já sofri pressão. Todos nós. Tem pressão quando a gente é convidado a tomar aquele cafezinho em salas de empresas” citou.

O presidente da Câmara, Luis Paixão, do Progressistas, aproveitou a reunião para comentar sobre a votação da Comissão Especial que reprovou o parecer favorável ao Diário Oficial eletrônico gratuito por três votos a dois. “Eu ouvi que vereador não pode ir na casa do outro dizer que o outro está gastando muita luz. Nunca imaginei que iria ouvir isso. Isso sim é a prerrogativa do vereador. Não fui eleito para ser cordeiro. Fui eleito para ser fiscal. Como se fiscaliza quando não se diz que está errado? Dizer que isso não faz parte, me desculpa… Mas não está no lugar certo”, avaliou Paixão.

Confira a sessão: