A Revolut está cada vez mais próxima de entrar em um seleto grupo de gigantes globais da tecnologia financeira. A fintech britânica prepara uma nova oferta secundária de ações que pode elevar seu valor de mercado para cerca de US$ 115 bilhões, consolidando a empresa como uma das mais valiosas do setor no mundo.
O movimento representa um salto de 53% em relação à avaliação registrada no fim de 2025, quando a companhia foi avaliada em US$ 75 bilhões. Se a operação for concluída nos valores esperados, a Revolut passará a valer aproximadamente o dobro do Nubank, atualmente avaliado em torno de US$ 58 bilhões na Bolsa de Nova York.
A nova rodada deve levantar pelo menos US$ 750 milhões e contar com a participação de investidores que já apostam na empresa há anos, reforçando a confiança no potencial de crescimento da fintech fundada por Nikolay Storonsky.
Dois gigantes, estratégias diferentes
As comparações entre Revolut e Nubank se tornaram frequentes nos últimos anos. Ambas surgiram com a proposta de desafiar os bancos tradicionais e conquistaram milhões de clientes ao redor do mundo. Apesar disso, os modelos de negócio seguem caminhos diferentes.
O Nubank construiu sua liderança na América Latina com forte presença no mercado de crédito e serviços bancários para pessoas físicas. Já a Revolut apostou em uma estratégia mais global, oferecendo uma plataforma que reúne câmbio, pagamentos internacionais, investimentos, criptomoedas e contas empresariais.
Essa diferença aparece nos números. O Nubank encerrou 2025 com cerca de 131 milhões de clientes, quase o dobro da base da Revolut, que alcançou 63,8 milhões de usuários.
Receita cresce em ritmo acelerado
Embora tenha menos clientes, a fintech britânica apresenta indicadores que ajudam a explicar o entusiasmo dos investidores.
A Revolut terminou 2025 com US$ 65,3 bilhões em depósitos, superando os US$ 41,9 bilhões registrados pelo Nubank. O valor médio mantido por cliente também é significativamente maior.
O crescimento das receitas chama ainda mais atenção. Enquanto o banco brasileiro avançou 37% no último ano, a Revolut registrou alta de 49%. A empresa fechou o período com receita de US$ 5,8 bilhões e lucro líquido de US$ 2,3 bilhões.
Primeiro centicórnio da Europa
Caso alcance a avaliação de US$ 115 bilhões, a Revolut se tornará o primeiro “centicórnio” europeu, termo usado para empresas privadas avaliadas em mais de US$ 100 bilhões.
A companhia ainda não tem planos de abrir capital no curto prazo. A expectativa é que um eventual IPO aconteça apenas depois de 2028. Até lá, a estratégia segue focada na expansão internacional.
Recentemente, a fintech solicitou uma licença bancária nos Estados Unidos e reforçou sua estrutura local com a nomeação de um novo CEO para o mercado americano. A iniciativa mostra que a Revolut pretende continuar ampliando sua presença global e disputar espaço nos maiores mercados financeiros do mundo.





