A carteira assinada continua sendo o principal modelo de contratação no Brasil, mas as empresas relatam uma mudança no comportamento de parte dos trabalhadores mais jovens.
Em vez de aceitar qualquer proposta formal, muitos profissionais passaram a avaliar fatores como flexibilidade, possibilidade de crescimento e qualidade de vida antes de decidir por uma vaga.
O tema ganhou força após relatos de recrutadores e especialistas em gestão de pessoas que identificaram maior resistência de candidatos a empregos que oferecem apenas estabilidade e salário como atrativos.
Segundo especialistas ouvidos pela área de carreira, a nova geração não rejeita necessariamente a CLT. O que mudou foi a expectativa em relação ao trabalho.
Pesquisas mostram cenário mais complexo
Apesar da percepção de que os jovens não querem mais trabalhar com carteira assinada, os números mostram uma realidade mais equilibrada.
Levantamentos recentes indicam que a CLT continua entre os formatos preferidos de contratação para grande parte dos trabalhadores brasileiros. Em uma pesquisa sobre carreira, 59% dos jovens apontaram a carteira assinada como modelo mais atrativo, embora o índice seja inferior ao observado em faixas etárias mais altas.
Os dados sugerem que o interesse pelo emprego formal permanece relevante, mas já não ocupa a mesma posição absoluta de décadas anteriores.
CLT deixou de ser garantia automática
Durante décadas, conquistar um emprego com carteira assinada era visto como objetivo principal para muitos brasileiros.
Hoje, especialmente entre jovens profissionais, a decisão costuma envolver outros critérios. Benefícios flexíveis, trabalho remoto, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e oportunidades de desenvolvimento ganharam peso no momento de aceitar uma proposta.
Na prática, isso significa que a contratação formal deixou de ser suficiente para atrair candidatos em alguns setores.
Empresas tentam se adaptar
Diante dessa mudança de comportamento, empresas passaram a revisar políticas de contratação e retenção de talentos.
Benefícios mais flexíveis, programas de desenvolvimento profissional, jornadas híbridas e oportunidades de crescimento ganharam espaço nas estratégias de recrutamento.
Para especialistas em mercado de trabalho, a discussão não é sobre o fim da CLT, mas sobre uma mudança nas prioridades dos profissionais mais jovens, que passaram a avaliar o emprego de forma mais ampla do que apenas a existência da carteira assinada.





