A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil bilionária das Lojas Americanas.
Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
Desta vez, a operação ampliou o foco: entre os alvos estão os acionistas de referência da varejista Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, um dos empresários mais ricos do país.
A PF também mira executivos com histórico de relacionamento com a Americanas nos três maiores bancos privados do Brasil: Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
O principal mecanismo investigado é o risco sacado, operação pela qual a varejista antecipava pagamentos a fornecedores por meio de empréstimos bancários, mas os registros contábeis teriam ocultado a dívida resultante. Os investigadores também apontam indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
O que já aconteceu até aqui
A fraude veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas revelou inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões e entrou com pedido de recuperação judicial. A operação agora eleva a estimativa do prejuízo para R$ 54 bilhões, com base em laudos periciais.
A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024 e teve foco nos ex-executivos. O ex-CEO Miguel Gutierrez chegou a ser preso na Espanha, mas a prisão foi revogada.
Em março de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários por manipular resultados financeiros e enganar investidores.
Em nota, a Americanas informou que não foi alvo dos mandados de busca. Os três bancos citados afirmaram colaborar com as investigações desde 2023.





