A gigante sueca H&M (abreviação que o consumidor local já apelidou carinhosamente de “agá e eme”) inaugurou nesta quinta-feira (14) sua primeira loja física no Rio Grande do Sul, localizada no Shopping Iguatemi Porto Alegre. Com uma operação que está prestes a completar nove meses no país, a marca traz a proposta de unir peças básicas e atemporais às últimas tendências globais, enfrentando o desafio de conquistar um mercado altamente competitivo e geograficamente diverso.
O Brasil foi o último grande mercado da América Latina a receber a varejista, com a estreia ocorrendo em São Paulo em agosto de 2025. Após passar pelo Rio de Janeiro, a chegada a Porto Alegre representa um passo estratégico importante. No dia 28 de maio, uma segunda unidade gaúcha será aberta no Shopping Praia de Belas.
O desafio cultural e a concorrência local
Campanha da H&M com participação de Gilberto Gil e Anitta. Reprodução: Divulgação/Hick Duarte
Ganhar a preferência do consumidor brasileiro não é uma tarefa simples. A H&M entra em um cenário dominado por marcas consolidadas como Renner, Riachuelo e C&A, que contam com forte presença nacional e profundo conhecimento do público. O próprio comando da marca reconhece que a operação exige humildade e aprendizado constante.
“Temos muitos anos de experiência, mas temos zero anos de experiência no Brasil.” (Joaquim Pereira, country manager da H&M no Brasil)
Para analistas do mercado financeiro, a sueca não deve ser vista como uma ameaça direta e imediata às grandes redes de massa nacionais. O posicionamento da H&M em solo brasileiro tende a se aproximar muito mais do modelo adotado pela Zara, focando em um público que busca design global com valores competitivos para o padrão internacional.
Três zonas climáticas e perfis de consumo diferentes
Reprodução: Divulgação/H&M
A expansão para o Sul desafia a logística e a curadoria da marca, que agora precisa lidar com três zonas climáticas distintas (São Paulo, Rio e Porto Alegre) simultaneamente. A loja do Iguatemi conta com quase 2 mil metros quadrados e abriga as coleções feminina, masculina e infantil.
Para otimizar as vendas, a H&M mapeou comportamentos específicos de consumo entre os gêneros:
Público Feminino: Busca a construção de looks completos. A procura envolve a combinação coordenada de blusas, calças, vestidos e acessórios.
Público Masculino: Focado na praticidade. A tendência desse consumidor é experimentar a peça e, se o caimento agradar, levar o mesmo modelo em múltiplas variações de cores
Campanhas com sotaque local e grandes parcerias
Stella McCartney. Reprodução: Getty Images
Para criar um relacionamento real com o público, a marca tem apostado em campanhas que celebram a cultura das cidades onde se instala, como os movimentos H&M&SP e H&M&RIO. Além disso, as famosas colaborações internacionais continuam sendo um pilar de desejo.
Ainda neste mês de maio, a H&M lançará uma nova coleção em parceria com a estilista britânica Stella McCartney, conhecida mundialmente por sua defesa histórica da sustentabilidade e recusa ao uso de couro animal. Essa união reforça a busca da gigante do fast fashion por responder às demandas de um consumidor cada vez mais atento aos impactos ambientais da indústria têxtil.
No universo da comunicação há 6 anos, depois de formada em Jornalismo, atuo como redatora e social media, movida pela paixão de transformar informações em conexão.