Vereadores criticam corte no pagamento de professores

Por 17 de janeiro de 2019

A decisão do prefeito de Cachoeira do Sul, Sérgio Ghignatti, em cortar salários dos professores municipais sob justificativa de correção do que foi classificado por “efeito cascata” segue repercutindo. Vereadores rebateram a medida. “Mais uma vez, a categoria é atingida pela crise do Município. O que estamos fazendo com os formadores da base que chegará às universidades? Ameaças, cortes, inseguranças de toda ordem”, lamenta o emedebista Igor Noronha. “Como os notificados poderão se manifestar sem terem a completa ciência do que acontece com suas vidas funcionais? Não concordo com a forma usada para corrigir distorções que somente agora, depois de muitos anos, veio à tona”, completa o vereador. “Alguém elaborou os cálculos. Alguém disse que a forma de remuneração estava, até então, correta. São estas pessoas que devem ser chamadas às responsabilidades”, finaliza na sua avaliação sobre o caso.

Prefeitura providencia entrega de documento sobre corte, mesmo após limite do turno único / Foto: Reprodução

Já a vereadora Telda Assis (PT) mostrou perplexidade com a situação. “Achei que já tinha visto de tudo: salários atrasados, salários parcelados e até não pagamento de salários. Mas, diminuir salários é a primeira vez. No ano passado, os professores com regime suplementar já sofreram com diminuição na matrícula do Regime. Agora, todos professores serão atingidos. Legal ou não, esta situação já vinha acontecendo há anos”, destaca a petista. “Hoje, em um passo de mágica em plenas férias da categoria, sem aviso prévio, serão descontados, por um erro que não é de sua responsabilidade. Até quando os professores terão que pagar a conta da incompetência e da irresponsabilidade dos governantes?”, questiona Telda. “Vivemos sempre na incerteza, sem paz, sofrendo ameaças constantes. Quando não é fechamento das escolas, fechamento das EJAs, remanejamentos… Uma falta de respeito. Um descaso com as pessoas e com a Educação”, considera a vereadora. “É hora de dar um basta!”, dispara.

Outro parlamentar que manifestou sua indignação foi o tucano Itamar Luz. “Cortes no salário dos professores é fácil. E o Diário Oficial não é economia para Município? Venho avisando e cobrando há tempos… Pena que não existe uma união de todos para acabar com certas coisas que acontecem por aqui”, lastima o vereador. “Parece que o medo toma conta e eles aproveitam. Aguardem: vem mais…”, projeta Luz.

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Inadmissível

Professores estão sendo notificados sobre a decisão por meio de ofício entregue nas suas casas. Um dos exemplos localizados pela reportagem gerou manifestação da docente que mora no Bairro Fátima. Apesar do turno único ter previsão de atividade até 14 horas, a professora alega ter recebido a notificação 14h45. “Prefeito quer reduzir salários de professores e esbanja com horas extras e gasolina para fazer entregas de correspondências, deixando o professor mais frustrado e indignado com tanta incompetência”, desabafa. “Esses funcionários serão pagos com hora extra por muita necessidade, senhor prefeito Ghignatti? Depois não tem dinheiro. Mas gasta onde não precisa”, completa a profissional de Educação.

Professora recebeu documento após horário de turno único / Foto: Reprodução