Um estudo do projeto ClimaRes WaSH, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, identificou a presença da bactéria Acinetobacter baumannii em quatro pontos do Guaíba, em Porto Alegre. A descoberta chamou atenção porque a mesma bactéria esteve envolvida em um surto na UTI neonatal do Hospital Fêmina, em abril deste ano, que terminou com a morte de um bebê prematuro.
As análises foram feitas em 17 pontos da capital gaúcha e culminaram no encontro da bactéria na Praia do Lami, na Praia de Ipanema, em um trecho do Guaíba próximo à foz do Arroio Dilúvio e nas redondezas da estação de bombeamento de águas pluviais do bairro Menino Deus.
No ponto localizado no Menino Deus, os pesquisadores encontraram uma cepa multirresistente, ou seja, que não respondeu a nenhum dos antibióticos testados. Agora, o material passará por sequenciamento genético para verificar se há alguma relação com a bactéria identificada no surto do Hospital Fêmina.
Água tratada não foi afetada
Apesar da preocupação que o resultado possa causar, os pesquisadores reforçam que não há qualquer indício de contaminação na água que chega às torneiras dos moradores de Porto Alegre, já que as amostras analisadas foram coletadas em ambientes naturais, e não na água tratada distribuída pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).
Em nota, o Dmae informou que realiza mais de 2,4 mil análises por dia para garantir a qualidade da água e que todo o sistema de abastecimento segue as normas do Ministério da Saúde.
Vigilância ambiental e cuidados no Guaíba
Para os pesquisadores, ainda, a descoberta evidencia como o monitoramento ambiental é importante para identificar bactérias resistentes e entender como elas circulam no meio ambiente.
Como medida de precaução, a recomendação é evitar ingerir água de rios e lagoas urbanas, não entrar nesses locais com feridas abertas ou com a imunidade comprometida e acompanhar os boletins de balneabilidade antes de frequentar praias do Guaíba.





