Se você ouviu falar de Chernobyl e fogo na mesma frase, é natural que bata uma preocupação imediata. O incêndio que atinge a zona de exclusão da antiga usina nuclear desde a última quinta-feira (7) reacendeu o alerta global, mas as autoridades ucranianas trouxeram atualizações importantes nesta semana para acalmar os ânimos.
Embora as chamas tenham se estendido por uma área de 1.200 hectares, o governo informou que a situação está contida. O fogo teria sido provocado por um ataque de drones na região, onde destroços de equipamentos russos foram encontrados. O grande desafio agora não é apenas o fogo em si, mas o cenário de guerra que cerca o local.
O risco de radiação é real?

A maior preocupação de especialistas e da população é a liberação de partículas radioativas, especialmente o Césio-137, que fica depositado no solo e na vegetação desde o acidente de 1986. Quando a floresta queima, essas partículas podem ser lançadas na atmosfera através da fumaça.
No entanto, o Centro Estatal de Segurança Nuclear e Radiológica da Ucrânia realizou monitoramentos constantes e modelos de dispersão. A conclusão é tranquilizadora para quem vive fora da zona de exclusão:
- Níveis normais: A radiação em Kiev (distante 130 km) e arredores permanece dentro dos limites permitidos.
- Segurança da população: Mesmo em um cenário pessimista, a concentração de partículas estaria muito abaixo do nível considerado perigoso.
- Risco local: O perigo real recai sobre os bombeiros e equipes de resgate que trabalham no foco do incêndio, pois eles podem inalar poeira radioativa diretamente (por isso o uso de roupas e máscaras especiais).
Minas terrestres dificultam o combate

Combater um incêndio florestal já é difícil, mas em Chernobyl o trabalho é quase cinematográfico. Por causa da guerra, muitas áreas da floresta estão minadas. Isso significa que os bombeiros não podem simplesmente entrar na mata para apagar as chamas.
O protocolo de segurança funciona assim:
- Varredura: Especialistas em explosivos precisam limpar o terreno primeiro.
- Equipamento pesado: Máquinas abrem aceiros (valas que impedem o avanço do fogo) apenas após a liberação da área.
- Zonas inacessíveis: Em locais com alto risco de explosão, o combate por terra é suspenso, o que faz com que o fogo possa durar até duas semanas dependendo do clima.
O impacto ambiental invisível

Para além da questão nuclear, ambientalistas alertam para uma tragédia ecológica. A zona de exclusão tornou-se, desde 2016, uma reserva da biosfera onde a natureza se recuperava sem a interferência humana. O fogo destrói o habitat de aves raríssimas, como a felosa-aquática, que depende das vegetações antigas para nidificar.
O incêndio em Chernobyl não é um caso isolado. O clima seco e os conflitos na região têm provocado queimadas em várias partes da Ucrânia. No momento, o foco das autoridades é garantir que o fogo não avance para áreas ainda mais sensíveis e que a fumaça continue sendo dispersada de forma segura pelo vento.





