A possível volta do horário de verão voltou a gerar debate no Brasil, mas desta vez o centro da discussão não é mais a economia na conta de luz. O governo federal passou a avaliar o impacto da medida sobre o consumo de energia nos horários de maior demanda, principalmente no início da noite.
O assunto ganhou força após os Estados Unidos avançarem em discussões para tornar o horário de verão permanente em parte do país. A repercussão internacional reacendeu o tema entre brasileiros, especialmente nas redes sociais, onde opiniões favoráveis e contrárias voltaram a aparecer.
Enquanto isso, técnicos do setor elétrico brasileiro acompanham estudos para entender se a mudança no relógio poderia ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema energético nacional em momentos críticos de consumo.
Energia solar mudou cenário do setor elétrico
Hoje, uma das principais preocupações do governo está relacionada ao crescimento da geração de energia solar no país. Apesar do avanço da tecnologia fotovoltaica, a produção cai justamente no fim da tarde, quando milhões de pessoas chegam em casa e o consumo aumenta de forma significativa.
Com isso, especialistas analisam se o horário de verão poderia ajudar a distribuir melhor essa demanda, aproveitando por mais tempo a luz natural e reduzindo a necessidade de acionamento de outras fontes de energia no começo da noite.
Os estudos estão sendo acompanhados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), responsável por avaliar diariamente as condições de geração e abastecimento no Brasil.
O horário de verão funcionava com o adiantamento dos relógios em uma hora durante os meses mais quentes do ano. A medida era aplicada principalmente nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões onde os dias de verão costumam ser mais longos.
A lógica era simples: com mais claridade no fim da tarde, as pessoas demorariam mais para acender luzes e ligar aparelhos elétricos, reduzindo o consumo em horários estratégicos.
A medida deixou de ser adotada em 2019. Na época, estudos apontaram que os hábitos da população haviam mudado e que a economia de energia já não era tão significativa quanto em décadas anteriores.
Agora, o debate retorna sob uma nova perspectiva. Mais do que reduzir gastos, o governo quer entender se o horário de verão ainda pode ajudar a equilibrar o sistema elétrico brasileiro diante das mudanças no consumo e no avanço das novas fontes de energia.





