O cenário no Rio Tietê, na altura de Salto (SP), voltou a impressionar negativamente nesta quinta-feira (14). Uma espessa camada de espuma tóxica cobriu a superfície da água, resultado do acúmulo de poluentes vindos da Grande São Paulo. O fenômeno, embora visualmente pareça uma “neve” fora de época, representa um grave risco ambiental e de saúde pública para a região.
A formação da espuma ocorre quando resíduos de detergentes e outros produtos químicos não tratados são agitados pela força das quedas d’água da cidade. A situação atual é agravada pela baixa vazão do rio devido à falta de chuvas recentes, o que deixa os poluentes muito mais concentrados.
O “Jogo de Empurra” das Autoridades

Embora o fenômeno seja recorrente, a prefeitura local e o órgão ambiental do estado divergem sobre o gatilho específico para o evento desta semana.
| Autoridade | Diagnóstico | Solução Apontada |
| Prefeitura de Salto | Poluição contínua vinda da Região Metropolitana de São Paulo. | Fim do lançamento de esgoto sem tratamento pelas cidades vizinhas. |
| Cetesb | A chuva do último domingo (10) “lavou” poluentes acumulados nas margens. | Manutenção da fiscalização (419 inspeções realizadas desde 2025). |
Alerta de Saúde: Beleza que Engana

Apesar de atrair turistas no Complexo Turístico da Cachoeira para fotos e vídeos, a Defesa Civil reforça que o material é perigoso. A espuma transporta uma carga pesada de bactérias e resíduos químicos industriais.
- Riscos Imediatos: O contato com a pele ou olhos pode causar irritações severas, coceira e vermelhidão.
- Recomendação: Turistas e moradores devem manter distância. A névoa levada pelo vento também pode carregar esses poluentes.
- Dado Alarmante: Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, o Rio Tietê recebe cerca de 600 toneladas de lixo e poluentes todos os dias.
Contraste com o Início do Ano
A situação atual de seca e concentração de lixo contrasta com o mês de fevereiro, quando o rio registrou cheias históricas. Naquela época, a vazão chegou a 520 m³/s (metros cúbicos por segundo), enviando um volume massivo de água da capital para o interior, o que demonstra que, seja pelo excesso ou pela falta de chuva, o interior paulista acaba herdando os problemas de gestão hídrica da metrópole.





