A Copa do Mundo de 2026 pode ser marcada por um desafio além das quatro linhas: o calor extremo. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (14) pelo World Weather Attribution (WWA) aponta que jogadores e torcedores estarão mais expostos a altas temperaturas e umidade do que na edição de 1994, também disputada na América do Norte.
Segundo a análise, pelo menos um quarto das partidas deve ocorrer em condições em que o índice de Temperatura de Bulbo Úmido e Globo (WBGT, na sigla em inglês) ultrapassará os 26°C. Nesse nível, a FIFPRO, entidade que representa jogadores profissionais, já recomenda medidas de proteção, como pausas para resfriamento e hidratação.
O levantamento também indica que ao menos cinco jogos podem ser disputados com o WBGT acima de 28°C, patamar considerado preocupante para a prática esportiva e associado a maior risco de problemas como desidratação, exaustão e insolação.
Entenda o que mede o índice WBGT
O WBGT é um indicador usado para avaliar o estresse térmico no corpo humano durante atividades físicas ao ar livre. Diferentemente da temperatura comum, ele considera outros fatores que influenciam diretamente na sensação de calor.
Entre as variáveis analisadas estão a umidade do ar, a velocidade do vento, o ângulo do sol e a cobertura de nuvens. Por isso, mesmo quando os termômetros não parecem tão altos, o impacto no organismo pode ser significativo.
Chris Mullington, professor do Imperial College London e um dos autores do estudo, alerta que, acima de 26°C de WBGT, o desempenho dos atletas já pode ser afetado. Quando o índice supera os 28°C, aumentam os riscos de doenças graves relacionadas ao calor, tanto para os jogadores quanto para os torcedores presentes nos estádios.
Para tentar minimizar esse problema, a FIFA anunciou em dezembro de 2025 que todas as partidas da Copa do Mundo de 2026 terão duas pausas obrigatórias para hidratação, uma em cada tempo. A medida valerá independentemente do local da partida, da cobertura do estádio ou da temperatura registrada no momento do jogo.





