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Entenda a lesão de Neymar e o porquê o craque pode ficar fora da Copa do Mundo

Por Isabela Ramos
28/05/2026
Entenda a lesão de Neymar e o porquê o craque pode ficar fora da Copa do Mundo

Foto: Sebastião Moreira/Shutterstock

O clima de mistério na Granja Comary deu lugar a uma realidade médica bem mais dura e preocupante. O que antes era tratado pela comissão técnica apenas como um edema leve de dois milímetros na panturrilha evoluiu para um diagnóstico definitivo nesta quinta-feira, dia 28 de maio. Os novos exames de imagem confirmaram que o atacante sofreu uma lesão de grau 2 no músculo. O cenário coloca em xeque a participação de Neymar na Copa do Mundo de 2026 com 100% de sua capacidade física e acende um sinal de alerta sobre os perigos de apressar sua volta aos gramados.

O camisa 10, que se machucou defendendo o Santos contra o Coritiba no último dia 17, já está oficialmente vetado dos amistosos preparatórios e iniciou uma corrida intensa contra o relógio no departamento médico.

O que de fato aconteceu com a panturrilha do camisa 10?

Foto: Shutterstock

Diferente de uma simples fadiga ou contratura, que é quando o músculo apenas fica “travado” por excesso de esforço, a lesão de grau 2 envolve um dano estrutural real. Na prática, significa que houve a ruptura parcial das fibras musculares. Os músculos funcionam como cabos elásticos formados por milhares de filamentos; quando a tensão gerada por uma arrancada ou desaceleração supera o limite do tecido, parte desses filamentos se rompe.

Em entrevista ao g1, o médico ortopedista e especialista em trauma do esporte, Eduardo Ramalho, explicou a gravidade do quadro:

“Nesses casos, significa que houve uma ruptura parcial das fibras do músculo. Não é apenas uma sobrecarga ou inflamação leve. Existe realmente um rompimento de parte da musculatura.”

Por ser um problema de gravidade moderada, o atleta experimenta dor imediata, inchaço e, principalmente, uma perda parcial de força e de função mecânica. Para um jogador de futebol que depende da explosão física, esse é um dos piores cenários às vésperas de um torneio de tiro curto.

A linha tênue entre a recuperação recorde e o desfalque na estreia

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Um post compartilhado por CBF • Seleção Brasileira de Futebol (@brasil)

O médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, trabalha com uma previsão de liberação estimada entre duas e três semanas. Trata-se de um prognóstico extremamente otimista para os padrões da medicina esportiva, já que uma lesão de grau 2 na população geral costuma exigir de quatro a oito semanas de afastamento completo.

O grande problema do Brasil é que o calendário não perdoa. Avaliando os prazos atuais, a situação do craque se divide em duas realidades muito distintas:

  • O teto otimista: Se o corpo de Neymar responder perfeitamente à fisioterapia no prazo mínimo de duas semanas, ele será liberado para os treinos de transição por volta do dia 11 de junho. Isso daria ao atacante apenas dois dias de treino com bola antes da estreia oficial do Brasil contra o Marrocos, no dia 13 de junho, em Nova Jersey.
  • O cenário realista/pessimista: Se a cicatrização do músculo exigir o prazo padrão de três semanas ou mais, o camisa 10 estará fora não apenas da estreia, mas possivelmente de toda a fase de grupos da competição, forçando Carlo Ancelotti a mudar drasticamente o esquema tático da equipe.

O que já é certeza absoluta é o corte do jogador dos dois testes finais da Amarelinha. Ele assistirá de fora os amistosos contra o Panamá, neste domingo (31), no Maracanã, e contra o Egito, no dia 6 de junho, em Cleveland.

O perigo da “recidiva”: por que a pressa pode causar um corte definitivo?

Foto: Shutterstock

A maior preocupação dos especialistas não é necessariamente a dor que o jogador sente hoje, mas sim a vulnerabilidade do tecido cicatricial. A panturrilha é considerada uma das regiões mais traiçoeiras para atletas de alta performance. Ela é a principal responsável por absorver o impacto dos saltos e gerar a força elástica para os sprints e mudanças bruscas de direção.

Médicos do Hospital Israelita Albert Einstein reforçam que o esporte de alto rendimento potencializa esse risco devido ao desgaste acumulado da temporada e ao histórico de lesões do atleta. Se Neymar voltar aos campos antes que essas novas fibras musculares estejam completamente maduras e fortalecidas, o risco de uma recidiva (uma nova ruptura no mesmo local) é altíssimo.

Caso o músculo abra novamente durante uma partida da Copa do Mundo devido à intensidade do jogo, a lesão pode evoluir para um grau 3 (ruptura total), o que significaria o fim precoce e definitivo do sonho do Mundial para o principal astro do futebol brasileiro.

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Isabela Ramos

Isabela Ramos

No universo da comunicação há 6 anos, depois de formada em Jornalismo, atuo como redatora e social media, movida pela paixão de transformar informações em conexão.

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