Se pilotos e comissários forem incluídos nas novas regras previstas no projeto que propõe o fim da escala 6×1, o Brasil pode enfrentar dificuldades para manter voos internacionais de longa duração. O alerta foi feito por Jerome Cadier, CEO da LATAM Airlines no Brasil, durante uma coletiva de resultados da empresa.
Segundo o executivo, limitar de forma rígida a jornada dos aeronautas poderia inviabilizar operações com mais de oito horas de duração, como os voos entre São Paulo e Paris ou Nova York,
Na prática, esse tipo de rota exige regras específicas para pilotos e comissários, já previstas na legislação da aviação. Sem essas exceções, as companhias teriam dificuldade para manter conexões intercontinentais partindo do Brasil.
Impacto pode chegar ao bolso do passageiro
O efeito não ficaria restrito às empresas aéreas. Caso as rotas internacionais fossem reduzidas, os passageiros poderiam enfrentar aumento no preço das passagens, menos opções de destinos e menor oferta de voos.
Especialistas do setor também avaliam que a mudança poderia prejudicar o turismo, o comércio e a competitividade do Brasil como ponto de partida e chegada de voos internacionais.
O projeto que altera a escala 6×1 ainda está em discussão no Congresso Nacional. Algumas emendas já preveem exceções para categorias com regras trabalhistas próprias, como os aeronautas.
Jerome Cadier afirmou que acredita em um entendimento entre o setor e o governo antes da votação final. Para ele, o diálogo deve permitir ajustes no texto para preservar a operação dos voos de longa duração.
A proposta de rever a escala 6×1 é considerada importante para milhões de trabalhadores. Ao mesmo tempo, o debate mostra que mudanças amplas precisam levar em conta as particularidades de setores que funcionam de forma diferente, como a aviação.





