Quem circulou por Porto Alegre no domingo (17) encontrou uma cena diferente em três dos monumentos mais conhecidos da cidade. As estátuas do Laçador, de Zumbi dos Palmares e de Elis Regina amanheceram usando cintos de segurança, em uma ação simbólica promovida pela Fundação Thiago de Moraes Gonzaga.
A intervenção faz parte da campanha “O que é urgente pra você?” e integra as atividades em comemoração aos 30 anos do Programa Vida Urgente. Os adereços permanecerão instalados até o dia 31 de maio, chamando a atenção de moradores e visitantes para a importância do uso do cinto de segurança.
Cada equipamento recebeu um cinto de três pontas com uma borboleta em uma das extremidades, símbolo do movimento criado pela fundação. A instalação foi realizada entre 5h e 7h da manhã, antes do amanhecer, para que a população já encontrasse a mensagem logo nas primeiras horas do dia.
Ação autorizada e retirada temporária
A iniciativa contou com autorização da Prefeitura de Porto Alegre. A Secretaria Municipal da Cultura, por meio da Divisão de Patrimônio e Memória, orientou que os cintos fossem apenas apoiados sobre as esculturas, sem amarrações ou qualquer material que pudesse causar danos, como fitas adesivas, colas ou cabos metálicos.
Na tarde de segunda-feira (18), o cinto colocado na estátua de Elis Regina, na Orla do Guaíba, desapareceu. Horas depois, o item foi devolvido à concessionária GAM3 Parks, responsável pela administração do espaço. Segundo a pessoa que retirou o objeto, ela não sabia que o adereço fazia parte da campanha do Vida Urgente. Por volta das 16h40, o cinto foi reinstalado no monumento.
Três décadas de conscientização
A Fundação Thiago de Moraes Gonzaga foi criada após a morte de Thiago Gonzaga, em 1995, aos 18 anos, em uma ocorrência de trânsito. Ele estava no banco traseiro do carro e não utilizava o cinto de segurança. Na época, o atual Código de Trânsito Brasileiro ainda não existia, já que a legislação entrou em vigor somente em 1997.
No ano seguinte, em 20 de maio de 1996, seus pais, Diza e Régis Gonzaga, criaram o Programa Vida Urgente, que desde então atua na conscientização sobre segurança no trânsito.
Entre as iniciativas mais conhecidas da fundação estão as Borboletas pela Vida, pinturas feitas no asfalto em locais onde ocorreram mortes no trânsito. Somente em Porto Alegre, cerca de 150 borboletas estão espalhadas por diferentes pontos da cidade.
Ao longo de três décadas, mais de 20 mil voluntários participaram do programa no Brasil e em outros países. A fundação também mantém grupos de apoio para famílias que perderam entes queridos no trânsito, além de projetos educativos voltados para crianças, adolescentes e jovens.





