O que deveria ser um momento de pura diversão, nostalgia e confraternização entre amigos e familiares acabou se transformando em uma enorme dor de cabeça para milhares de colecionadores. O Procon-SP emitiu um sinal de alerta oficial após registrar um salto impressionante de 220% nas queixas relacionadas ao álbum oficial e às figurinhas da Copa do Mundo. A febre de completar o livro ilustrado encontrou um cenário preocupante no mercado de consumo, deixando um rastro de insatisfação que cresce à medida que a abertura do torneio se aproxima.
O levantamento aponta que a empolgação dos torcedores abriu espaço para a ação de atravessadores e golpistas, principalmente no ambiente virtual.
O efeito bola de neve das reclamações

O volume de ocorrências registradas nos balcões do órgão de defesa do consumidor começou de forma tímida no início do ano, mas explodiu em um curtíssimo espaço de tempo. Em março, as bases de dados contabilizavam apenas 19 queixas formais. Esse número subiu para 63 ocorrências em abril e atingiu o ápice em maio, registrando 156 reclamações em apenas três semanas, totalizando 238 registros consolidados.
A raiz dos problemas enfrentados pelos compradores divide-se em três grandes gargalos:
- Problemas logísticos: A não entrega ou o atraso severo no envio das mercadorias lidera o ranking de insatisfação, respondendo por 115 reclamações do total.
- Quebra de contrato: Anúncios com ofertas não cumpridas e propagandas consideradas enganosas aparecem logo em seguida, somando 34 queixas.
- Erros no pedido: O recebimento de pacotes incompletos ou com produtos totalmente diferentes do pedido original gerou outras 24 ocorrências.
O mercado paralelo digital e o foco das fraudes

As plataformas digitais e os grupos de mensagens instantâneas viraram o principal cenário para a atuação de perfis falsificados e anúncios armadilha.
- 1.Início das vendas em março: Estreia da Febre.
- O álbum chega ao mercado de consumo e o Procon-SP registra as primeiras 19 queixas isoladas sobre problemas na distribuição.
- 2.Disparo nas queixas em abril: Alerta Inicial.
- As reclamações específicas sobre a venda de kits de figurinhas sobem para 34 casos, impulsionadas pelo comércio em marketplaces.
- 3.Explosão de casos em maio: Auge da Crise.
- O volume de denúncias sobre os cromos colecionáveis dá um salto para 109 ocorrências, evidenciando falhas em perfis de redes sociais.
- 4.Intervenção e orientações do Procon: Ação Fiscal.
- O órgão unifica os dados, notifica os canais digitais e emite um guia técnico de segurança para blindar o bolso dos torcedores.
Como proteger o bolso e garantir os cromos oficiais
Para evitar cair em armadilhas financeiras ao tentar preencher as páginas da seleção, o consumidor precisa adotar uma postura defensiva nas compras online.
| Manual de Segurança do Torcedor | O que Verificar Antes de Pagar | O que Fazer em Caso de Prejuízo |
| Compre apenas em bancas de jornais e pontos de venda autorizados. | Faça a checagem do CNPJ, endereço físico e canais de suporte da loja. | Tire prints de todas as telas, anúncios e conversas de negociação. |
| Desconfie imediatamente de anúncios com preços muito abaixo do mercado. | Busque o selo de produto oficial e a identificação clara do fornecedor. | Guarde os comprovantes de Pix, boletos e e-mails de confirmação. |
| Exija e confira o prazo de entrega antes de fechar o carrinho digital. | Avalie a reputação do vendedor em plataformas de reclamação pública. | Registre a denúncia formal direto no site oficial do Procon-SP. |
A resposta da fabricante e o reflexo em outros setores

O impacto do evento esportivo na economia vai muito além dos itens colecionáveis fabricados na planta industrial de Barueri, em São Paulo. O Procon-SP identificou que o ecossistema de fraudes e anúncios falsos pegou carona no clima do mundial para inflar problemas em promoções de eletrodomésticos, televisores de telas grandes, roupas esportivas e aparelhos eletrônicos adquiridos especialmente para os dias de jogos.
Procurada formalmente pela equipe de reportagem para se posicionar sobre o atraso nas entregas e os problemas na distribuição oficial relatados pelos consumidores, a Panini, empresa responsável pela comercialização dos álbuns, enviou uma nota curta afirmando que não irá se manifestar a respeito do assunto. Sem o suporte da fabricante, resta aos torcedores seguirem à risca as orientações de segurança e utilizarem os canais de troca físicos tradicionais de suas cidades, evitando intermediários desconhecidos na internet para garantir que o álbum da Copa continue sendo um motivo de alegria.





