O fechamento do mês trouxe um alívio de peso para a equipe econômica do país. De acordo com o Relatório do Tesouro Nacional divulgado nesta quinta-feira (28), as contas do Governo Central fecharam o mês de abril com um superávit primário de R$ 25,2 bilhões, que ocorre quando a arrecadação com impostos supera as despesas públicas, antes de contabilizar o pagamento dos juros da dívida. Esse desempenho representa o melhor resultado para o mês de abril desde 2022, alcançando uma marca que a gestão pública não conseguia registrar há exatamente quatro anos.
O montante veio significativamente acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando os cofres públicos anotaram um saldo positivo de R$ 18,2 bilhões (sem correção inflacionária), sinalizando uma reação importante na arrecadação federal.
O que puxou o resultado para o azul?

A engrenagem que garantiu esse fôlego financeiro foi movida quase que inteiramente pela eficiência na arrecadação de tributos administrados pela Receita Federal. No balanço geral, a receita líquida do governo real experimentou um salto de 5,8%, enquanto o ritmo de crescimento das despesas totais ficou contido em 3,3% no comparativo anual.
Os principais motores desse crescimento na arrecadação em abril foram:
- Imposto de Renda: Um incremento substancial de R$ 4,8 bilhões nas contas.
- Cofins: Alta de R$ 4,5 bilhões puxada pela atividade comercial.
- Previdência (RGPS): Um reforço de R$ 4,1 bilhões na arrecadação líquida.
- Exploração de Recursos Naturais: Ganho de R$ 1,9 bilhão impulsionado por royalties.
Esse fluxo bilionário de arrecadação foi essencial para neutralizar o peso crônico de setores deficitários. No balanço interno de abril, o caixa do Tesouro Nacional e do Banco Central injetaram um superávit robusto de R$ 58,3 bilhões, o que acabou absorvendo com folga o rombo de R$ 33,1 bilhões registrado na Previdência Social.
O desafio da meta fiscal para 2026 e os próximos anos
Embora o mês de abril tenha garantido motivos para comemorar, o cenário acumulado exige cautela e um monitoramento rígido dos gastos. No balanço de janeiro a abril deste ano, o superávit acumulado está em R$ 8,7 bilhões, uma queda acentuada quando comparado aos R$ 73,2 bilhões registrados no mesmo quadrimestre do ano passado, reflexo do aumento expressivo em despesas obrigatórias, como pessoal, sentenças judiciais (precatórios) e benefícios previdenciários.
Para cumprir as regras do arcabouço econômico, o governo federal precisa perseguir metas claras de sobra de caixa nos próximos ciclos:
| Ano Referência | Meta de Superávit Primário | Equivalência em Relação ao PIB |
| 2026 (Ano Atual) | R$ 35 bilhões | 0,25% do PIB |
| 2027 | R$ 70,7 bilhões | 0,50% do PIB |
| 2028 | R$ 150,7 bilhões | 1,00% do PIB |
A regra de tolerância: Para o ano de 2026, a legislação fiscal prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. Na prática, a meta de R$ 35 bilhões será formalmente considerada cumprida se o governo fechar o ano com as contas rigorosamente zeradas (empate entre despesas e receitas) ou se alcançar uma folga de até R$ 68 bilhões.
O grande desafio da equipe econômica para o segundo semestre será manter as receitas em ritmo de alta e estabilizar o indicador acumulado dos últimos 12 meses, que atualmente carrega um déficit acumulado de R$ 130,6 bilhões (o equivalente a 0,97% do PIB), garantindo que os próximos meses sigam a tendência positiva desenhada em abril.





