Uma excelente notícia para os pacientes e para o mercado de saúde no país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Ozivy, a primeira caneta de aplicação nacional desenvolvida com a semaglutida (o mesmo princípio ativo de medicamentos famosos como o Ozempic e o Wegovy). Produzido pela farmacêutica brasileira EMS, o remédio surge como a primeira alternativa oficial após o encerramento da patente da molécula original no mercado brasileiro, que aconteceu em março de 2026.
Aprovado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, o medicamento promete ampliar o acesso à terapia e movimentar a concorrência nas farmácias.
Como a nova “canetinha” funciona no organismo

O Ozivy é um medicamento injetável de aplicação semanal que atua como um análogo do GLP-1, ou seja, ele simula a ação de um hormônio que nós já produzimos naturalmente no sistema digestivo. Essa substância realiza um trabalho triplo no corpo: estimula o pâncreas a produzir insulina de forma equilibrada, diminui a velocidade com que o estômago esvazia a comida e ativa receptores no cérebro que controlam a sensação de saciedade.
Embora o foco do novo registro seja o controle do diabetes, essa categoria de fármaco é amplamente reconhecida pelos impactos na redução de gordura corporal. Pesquisas clínicas de referência apontam que o uso contínuo da molécula pode levar a uma perda média de até 17,4% do peso total dos pacientes após um período de 68 semanas de tratamento.
O cronograma: o caminho do laboratório até as gôndolas
A liberação do remédio nacional envolve etapas rígidas de controle e uma logística cuidadosa de resfriamento para garantir que o produto chegue intacto ao consumidor.
- 1.Quebra da patente em março: A fórmula da semaglutida deixa de ser exclusividade do laboratório estrangeiro Novo Nordisk, permitindo que indústrias brasileiras fabriquem suas próprias versões.
- 2.Aprovação oficial da Anvisa: Após analisar testes de eficácia e segurança submetidos desde 2023, a agência reguladora emite o registro oficial de comercialização para a EMS.
- 3.Definição de preços na CMED: Nos próximos dias, o medicamento passa pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão que estipula o valor máximo de venda permitido no país.
- 4.Chegada às farmácias em 30 dias: Com o preço definido, a farmacêutica inicia a distribuição dos lotes, prevendo abastecer as redes de drogarias de todo o Brasil no prazo de um mês.
Lado a lado: o que muda entre o remédio nacional e o importado

A grande diferença do produto brasileiro para os concorrentes importados está na engenharia química de sua produção. Veja o comparativo dos critérios de armazenamento e fabricação:
| Critérios de Comparação | O Medicamento Referência (Ozempic) | A Nova Versão Nacional (Ozivy) |
| Origem da Molécula | Medicamento biológico, cultivado a partir de células vivas em laboratório. | Medicamento sintético de alta complexidade, produzido por síntese química. |
| Regras de Conservação | Exige geladeira antes do primeiro uso; após aberto, tolera até 30 graus Celsius. | Deve ser mantido na geladeira (entre 2 e 8 graus Celsius) antes e depois de aberto. |
| Forma de Aplicação | Injeção subcutânea semanal com agulhas descartáveis. | Injeção subcutânea semanal com o mesmo padrão de aplicação. |
| Exigência para Compra | Venda realizada mediante apresentação de receita médica simples. | Venda obrigatória com retenção de receita médica em duas vias. |
Preços mais acessíveis e combate ao mercado clandestino
A produção do Ozivy será concentrada no complexo industrial da EMS em Hortolândia, no interior de São Paulo. Para colocar o projeto de pé, a empresa investiu mais de R$ 1,2 bilhão no desenvolvimento de uma plataforma de peptídeos (tecnologia voltada para a criação dessas moléculas), criando uma estrutura robusta capaz de fabricar até 40 milhões de canetas de aplicação por ano.
A expectativa da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) é que a chegada de um concorrente de peso ajude a baratear o custo do tratamento para o bolso do consumidor final. O vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, confirmou que o medicamento terá um preço consideravelmente menor do que o praticado atualmente no mercado de biológicos, funcionando também como uma barreira de segurança para proteger a saúde da população:
“O produto vai ser bem mais acessível. Estamos com um olhar focado em atender a uma demanda reprimida que existe hoje no país, o que acaba alimentando a expansão perigosa do mercado clandestino e de fórmulas de manipulação indevidas.”





