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Ano de eleição e tempo de adaptação: empresários ponderam o fim da escala 6×1 no Brasil

Por Isabela Ramos
19/05/2026
Ano de eleição e tempo de adaptação: empresários ponderam o fim da escala 6×1 no Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O debate em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1 ganhou um novo capítulo de forte tensão na Câmara dos Deputados. Durante audiência na comissão especial que analisa o tema, representantes das principais confederações patronais do país manifestaram sérias preocupações com o andamento do projeto. O principal ponto de crítica do setor empresarial não é a discussão do tema em si, mas a velocidade e o momento da votação, considerada açodada por ocorrer em meio ao calor das emoções de um ano eleitoral.

Enquanto a proposta avança como uma das grandes prioridades do governo federal e conta com a articulação direta do presidente da Câmara, Hugo Motta, para ser votada no dia 26 de maio, os empregadores alertam para os riscos de uma aprovação sem o devido amadurecimento técnico.

O clamor por uma transição gradual e segura

Reprodução: Câmara dos Deputados

A maior preocupação manifestada pelos líderes industriais, do comércio e de serviços de saúde gira em torno da impossibilidade de absorver os impactos econômicos de uma redução imediata de jornada sem que haja repasse de custos para o consumidor final ou demissões. Sob a justificativa de que uma mudança dessa magnitude não pode ser feita da noite para o dia, os empresários defendem a inclusão de um período de transição escalonado no texto final.

Diretores de entidades ligadas à saúde e ao ensino privado ressaltaram que setores essenciais possuem escalas contínuas e complexas. Segundo o posicionamento das confederações, votar uma redução abrupta de carga horária mantendo os salários intactos, sem um planejamento financeiro objetivo e gradual, pode desestruturar o funcionamento de hospitais, clínicas e escolas em todo o território nacional.

O posicionamento das confederações empresariais

Entidade PatronalRepresentante OuvidoPrincipal Argumento Apresentado
CNI (Indústria)Alexandre Herculano FurlanO tema é legítimo, mas o debate ficou excessivamente acelerado por conta do período político atual.
CNC (Comércio e Turismo)Luciana Diniz RodriguesÉ necessário um debate mais efetivo, amplo e aprofundado, afastando a urgência do calendário de eleições.
CNA (Agricultura e Pecuária)Rodrigo Hugueney MelloAlerta para o risco de tomar decisões estruturais para o país baseadas no calor do momento eleitoral.
CNSaúde (Hospitais e Clínicas)Genildo Lins de AlbuquerqueDefende a necessidade de uma certa gradação e parcelamento na implantação das novas regras de jornada.

Valorização das negociações coletivas por setor

Outra bandeira unânime defendida pelo empresariado durante as audiências na Câmara é a centralidade das negociações coletivas entre os sindicatos de trabalhadores e os sindicatos patronais. Os representantes das federações do comércio e da indústria argumentam que a convenção coletiva é o instrumento jurídico ideal para realizar a customização necessária da jornada, respeitando as particularidades operacionais de cada segmento e as diferenças econômicas de cada região do Brasil.

De acordo com o setor produtivo, conferir autonomia para que cada categoria desenhe o seu modelo de sustentabilidade é o caminho mais seguro para preservar a saúde financeira das empresas e, consequentemente, evitar a perda em massa de postos de trabalho formais.

Por outro lado, o governo federal mantém uma postura firme contra a criação de prazos de transição prolongados, defendendo a aplicação imediata das novas regras assim que a PEC for promulgada. O relator da matéria, deputado Leo Prates, deve apresentar o seu parecer oficial nesta quarta-feira, abrindo caminho para que a comissão vote o parecer na próxima semana, mantendo os empresários e as centrais de trabalhadores em vigília constante nos bastidores do Congresso.

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Isabela Ramos

Isabela Ramos

No universo da comunicação há 6 anos, depois de formada em Jornalismo, atuo como redatora e social media, movida pela paixão de transformar informações em conexão.

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