Transporte coletivo: presidente do sindicato critica Balardin, questiona subsídio de mais de R$ 2 milhões e anuncia voto contrário

Cachoeira do Sul, · --°C

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cachoeira do Sul, Luiz Aníbal Vieira Machado, fez duras críticas ao prefeito Leandro Balardin ao comentar a proposta de subsídio para a empresa interessada em assumir a operação do transporte coletivo urbano no Município. O dirigente sindical também anunciou que votará contra a aprovação da medida durante reunião do Conselho Municipal de Transportes, marcada para a manhã desta terça-feira (7).

Segundo Aníbal, a atual crise do transporte coletivo é consequência da falta de reajuste da tarifa, do aumento dos custos operacionais e da redução no número de passageiros. Aníbal destacou que a passagem permanece em R$ 5,70 há cerca de dois anos e lembrou que, em 2025, a Prefeitura optou por reduzir o valor da tarifa em vez de promover um reajuste.

O sindicalista afirmou ainda que a antiga operadora reduziu drasticamente seu quadro de funcionários, contando atualmente com menos de 40 trabalhadores.

Ao comentar a empresa que apresentou proposta para operar o sistema em Cachoeira do Sul, Aníbal observou que ela atua em municípios como Esteio, Novo Hamburgo e Campo Bom, onde o transporte coletivo funciona com aporte financeiro das prefeituras.

Como exemplo, o líder sindical citou o caso de Novo Hamburgo, onde a tarifa paga pelo usuário é de R$ 5,20, mas o custo da operação chega a aproximadamente R$ 9,40 por passageiro, sendo a diferença coberta por um subsídio municipal de R$ 4,20.

“Em Novo Hamburgo a tarifa é de R$ 5,20, mas a empresa recebe mais R$ 4,20 de subsídio. Na prática, o custo do transporte é de R$ 9,40. O subsídio ajuda a pagar salários e manter a operação. Em Esteio também acontece algo semelhante, inclusive com participação da prefeitura na venda das passagens. É uma situação bastante complexa”

Para Aníbal, um modelo semelhante poderá ser implantado em Cachoeira do Sul, onde o custo técnico da operação foi estimado em R$ 7,48 por passageiro, exigindo complementação financeira para manter a tarifa em R$ 5,70.

O presidente do sindicato questionou a mudança de postura da administração municipal em relação aos subsídios destinados ao transporte coletivo. Segundo ele, anteriormente, a Prefeitura alegava não haver recursos para conceder um aporte mensal de cerca de R$ 74 mil à empresa que operava o sistema, mas agora discute um subsídio estimado em R$ 170 mil por mês, o que pode ultrapassar R$ 2 milhões anuais.

“Tenho dificuldade de entender. Para conceder cerca de R$ 74 mil mensais à empresa que já operava o sistema, mantendo linhas, atendendo todos os bairros e renovando a frota, diziam que não havia dinheiro. Agora surge um subsídio estimado em R$ 170 mil por mês, que pode superar R$ 2 milhões por ano”

Aníbal também responsabilizou a administração municipal pela situação atual e direcionou críticas ao prefeito Leandro Balardin.

“É uma criancice do prefeito, é falta de responsabilidade. Mas quem paga essa conta não é ele. Quem paga é o povo, porque esses recursos saem dos impostos dos cachoeirenses”

O dirigente informou que participará da reunião do Conselho Municipal de Transportes, prevista para as 8 horas desta terça-feira (7), quando serão analisadas a aprovação da nova empresa e da proposta de subsídio.

“Vão discutir o transporte coletivo, a aprovação da nova empresa e desse subsídio. Eu sou membro do conselho e vou votar contra”

Aníbal defendeu que a proposta seja amplamente debatida antes da aprovação de qualquer aporte financeiro e reiterou que, em sua avaliação, o custo da medida será suportado pelos contribuintes.

“No final das contas, quem paga é o contribuinte. Estamos falando de mais de R$ 2 milhões por ano em recursos públicos que sairão dos impostos dos cachoeirenses”

Por fim, o presidente do sindicato ressaltou que a entidade continuará atuando na defesa dos trabalhadores do transporte coletivo, independentemente da empresa que venha a assumir a operação do serviço.

“O sindicato permanece independente. Se os trabalhadores entenderem que é necessário realizar assembleias ou mobilizações, estaremos prontos para defendê-los”

Entrevista

O programa Conexão 99 – da Rádio Vale 99.1 – conversou com o sindicalista sobre a posição da entidade na reunião do Conselho Municipal:

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