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No vai-e-vem das reuniões da ONU na semana passada, os presidentes dos Estados Unidos Donald Trump e do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva se cruzaram e trocaram poucas palavras.
Foi o bastante para Trump anunciar em seu discurso que ambos teriam concordado em se reunir esta semana, se fosse do interesse do brasileiro.
Como de praxe, Lula havia aberto a Assembleia e criticado o que chamou de “sanções arbitrárias” e “intervenções unilaterais”, sem citar Trump nominalmente.
Poucas horas depois do anúncio da reunião, Lula tergiversou, com evasivas e subterfúgios para evitar qualquer encontro presencial na Casa Branca.
Alegou que sua agenda nesta semana está lotada, sem espaço para viajar a Washington.
Dentre as pautas constam mudanças de ministérios, incluindo a ida do deputado pessolista Guilherme Boulos para a Secretaria Geral da Presidência e inauguração de creche na Ilha de Marajó.
Obviamente assuntos muito mais imprescindíveis do que tentar negociar as tarifas impostas às exportações brasileiras.
Lula se dispôs em troca a telefonar ou realizar uma teleconferência, em ambiente controlado e sem possibilidades de ser embretado.
Integrantes do governo chegaram a afirmar que um encontro presencial somente deveria ser realizado em algum país neutro.
O petista José Eduardo Cardozo disse que Lula só deveria conversar pessoalmente com Trump se tivesse garantias concretas de que não seria submetido a qualquer situação desconfortável.
Lula está fazendo rodeios para não passar vergonha diante das verdades que Trump costuma apresentar, como fez com o ucraniano Zelenski ou o sul-africano Ramaphosa.
Chegou a ironizar que levaria Janja no Salão Oval, decerto para tirar o foco em si mesmo ao deixar para sua esposa cometer alguma outra gafe internacional.
Ano passado, antes de saber quem venceria a eleição dos Estados Unidos, Lula atacou Trump, sugerindo que sua vitória representaria o “nazismo com outra cara”.
Para quem se intitula o maior negociador do universo, mas vive de repetir chavões para militantes em ambientes controlados, ter que enfrentar a verdade não é das melhores opções.
A própria Assembleia-Geral da ONU virou reunião da UNE para a delegação brasileira, que teve 110 representantes ao custo de R$ 4,3 milhões.
Os brasileiros usaram lenço palestino e abandonaram o plenário durante o discurso do Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu, numa demonstração de imaturidade diplomática que tem caracterizado o governo petista.
Para piorar, parte da comitiva foi simplesmente visitar os pontos turísticos e fazer compras em Nova Iorque ao invés de participarem ativamente das reuniões paralelas.
Espelham-se no grande líder populista que foge do debate sério e pragmático porque sabe que o ponto nevrálgico das tensões tarifárias é a perseguição judiciária contra Jair Bolsonaro.
Enquanto Trump não tiver a garantia de que o ex-presidente Bolsonaro vai concorrer na eleição do ano que vem, as tensões não vão arrefecer.
Lula acabou num dilema onde não há escolha fácil.
Qualquer opção que fizer terá consequências desfavoráveis para sua já desgastada imagem.
Como diz a expressão: “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.