Ponte do Fandango será elevada em 3,14 metros nesta quinta-feira

Cachoeira do Sul, · --°C

A obra de recuperação da Ponte do Fandango, em Cachoeira do Sul, entra em na fase mais delicada e desafiadora nesta quinta-feira (26). A partir das 10h, a Construtora Cidade realiza o içamento da estrutura metálica e do tabuleiro da estrutura, que será elevado em 3,14 metros. A operação utilizará 12 macacos multicabos, cada um com capacidade para suportar até 300 toneladas.

A elevação integra o projeto de readequação estrutural aprovado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que prevê o aumento da altura da ponte após a enchente de maio de 2024, quando o tabuleiro chegou a ficar submerso pelas águas do Rio Jacuí.

Segundo a empresa responsável, a demolição dos viadutos de acesso está em fase final e pode ser concluída antes do prazo inicialmente indicado pelo Dnit, que era o fim de março. Já foram retiradas vigas e longarinas, restando apenas parte dos pilares antigos. Ao mesmo tempo, novos pilares começam a ganhar forma no canteiro, sinalizando o avanço da reconstrução.

Interdição total deu início à fase crítica da reforma da Ponte do Fandango

A interdição completa da ponte foi autorizada pelo Dnit no início de fevereiro, permitindo o ingresso na chamada “fase crítica” da obra — etapa que exige bloqueio integral do tráfego por envolver intervenções estruturais de maior profundidade e complexidade. A previsão inicial é de que o bloqueio se estenda por cerca de cinco meses. Durante esse período, as equipes atuam na remoção de estruturas antigas e na preparação da base para o içamento definitivo da pista e da estrutura metálica, operação considerada uma das mais complexas do cronograma.

O projeto inclui reforço estrutural dos viadutos de acesso, elevando a capacidade de carga do trem-tipo de 24 toneladas para 45 toneladas, nova pavimentação e realocação da passarela de pedestres para o lado direito, permitindo o alargamento da pista sem comprometer o funcionamento da eclusa existente no local. O investimento, inicialmente estimado em R$ 62 milhões, pode superar R$ 70 milhões. A conclusão geral dos trabalhos está prevista para acontecer ainda em 2026.

Balsa gratuita, mas com filas

Com a ponte bloqueada, a travessia entre Cachoeira do Sul e a BR-290 ocorre por meio de balsa gratuita disponibilizada pelo governo federal, operando 24 horas por dia. Nos horários de pico, o tempo de espera pode ultrapassar duas horas. Diante da demanda, o prefeito Leandro Balardin solicitou ao superintendente regional do Dnit, Hiratan Pinheiro, a disponibilização de uma segunda embarcação para reduzir as filas, que ainda não se concretizou.

Considerada um corredor estratégico de ligação entre a BR-290 e a RS-287, a Ponte do Fandango conecta as regiões Central e Vale do Rio Pardo às regiões Sul e Oeste do Estado, além de servir como rota para o porto de Rio Grande. O Dnit avalia que o reforço da capacidade estrutural é fundamental para o escoamento de grãos, insumos e demais produtos da região.

Fragilidades estruturais começaram a aparecer em 2021

A estrutura, inaugurada na década de 1960, passou a enfrentar restrições mais severas a partir de outubro de 2021, quando foi identificada uma rachadura em uma das vigas de sustentação, levando à interdição total e, posteriormente, à adoção do sistema Pare/Siga. Em maio de 2024, uma nova fissura na cabeceira da ponte resultou em nova suspensão do tráfego. No mesmo período, a enchente histórica elevou o nível do Rio Jacuí a ponto de submergir o tabuleiro, fato que reforçou a necessidade de elevação da estrutura no projeto atual.

Em fevereiro de 2026, o Dnit autorizou definitivamente o bloqueio total para execução da etapa mais complexa da obra, agora em andamento. Até a liberação da ponte, motoristas e pedestres devem seguir utilizando a balsa e acompanhar os comunicados oficiais sobre o andamento dos trabalhos e eventuais alterações no cronograma.

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