
Uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reacendeu o debate sobre os meios de pagamento instantâneo. Em entrevista divulgada nesta quinta-feira (4), ele sugeriu que o Brasil poderia negociar com os Estados Unidos utilizando como referência o Zelle, sistema norte-americano frequentemente comparado ao PIX. Em sua fala, chegou a mencionar a possibilidade de substituição do sistema brasileiro pelo modelo utilizado nos EUA.

A comparação, entretanto, esbarra em diferenças significativas entre as duas plataformas. Embora ambos permitam transferências rápidas entre usuários, PIX e Zelle possuem origens, estruturas e alcances bastante distintos.
O que é o PIX?
Criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em 2020, o PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos instantâneos. O sistema funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, permitindo transferências e pagamentos em poucos segundos entre instituições financeiras participantes.
O modelo brasileiro tornou-se um dos maiores sistemas de pagamentos instantâneos do mundo. Segundo dados do Banco Central citados por especialistas, o PIX conta com mais de 170 milhões de usuários e movimenta trilhões de reais anualmente.
Além das transferências entre pessoas, o PIX é amplamente utilizado por empresas, órgãos públicos, lojas físicas, comércio eletrônico e prestadores de serviços.
O que é o Zelle?
Já o Zelle é uma rede de pagamentos criada por um consórcio de grandes bancos norte-americanos. O sistema permite a transferência de dinheiro entre contas bancárias nos Estados Unidos utilizando e-mail ou número de telefone do destinatário.

Diferentemente do PIX, o Zelle não é administrado pelo governo dos Estados Unidos nem pelo banco central norte-americano. Trata-se de uma plataforma privada, cuja participação depende da adesão voluntária dos bancos. Entre os participantes estão instituições como JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo.
Principais diferenças
A principal diferença está na natureza dos sistemas.
O PIX é uma infraestrutura pública, regulada e coordenada pelo Banco Central, com participação obrigatória das principais instituições financeiras do país. Já o Zelle é um serviço privado, operado por bancos que escolhem aderir ou não à plataforma.
Outra distinção importante é a abrangência. Enquanto praticamente qualquer brasileiro com conta em banco ou instituição financeira pode utilizar o PIX, o Zelle possui alcance mais limitado, dependendo dos bancos participantes e da elegibilidade dos clientes.
O PIX também oferece funcionalidades que foram sendo ampliadas ao longo dos anos, como pagamento por QR Code, cobranças automáticas e integração com serviços públicos. O Zelle é mais focado em transferências entre contas bancárias.
Debate ganhou tom político
A fala de Eduardo Bolsonaro ocorreu em meio às discussões envolvendo relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e críticas feitas por autoridades norte-americanas ao sistema brasileiro de pagamentos. O ex-deputado afirmou que o Zelle seria uma espécie de “PIX dos Estados Unidos” e que o tema poderia fazer parte de negociações entre os dois países.
A declaração provocou reações de economistas, especialistas em tecnologia financeira e agentes políticos, que destacaram as diferenças estruturais entre os dois sistemas e o fato de o PIX ser uma infraestrutura nacional desenvolvida pelo Banco Central brasileiro.
Independentemente do debate político, especialistas ressaltam que PIX e Zelle não são sistemas idênticos. Embora ambos permitam pagamentos instantâneos, o modelo brasileiro é público, universal e regulado pelo Banco Central, enquanto o sistema norte-americano opera sob uma lógica privada e bancária.