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sábado, 6 março, 2021 - 05:01
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O que você vai ser quando crescer? O difícil momento da escolha profissional

Etimologicamente, adolescência vem de adolescere, que significa crescer, entretanto, também guarda relação com addolescere, que significa adoecer. E por isso se tem a Idea de crise para definir adolescência. E é com a chegada da escolha profissional, que muitas vezes essa crise se manifesta, com certeza muitas famílias estão vivendo esse momento agora, com seus filhos concluindo ensino médio e muitos deles que terão acesso ao ensino superior ficam diante de muitas dúvidas. Afinal, é o momento de se ter dúvidas, não podemos deixar de ter em mente sua condição de adolescente e também na sua condição de busca por ser um indivíduo, a busca pela própria identidade, onde a escolha profissional é uma característica que marca essa escolha de identidade.

A adolescência no século XXI, é pouco diferente da adolescência que os pais viveram. Estamos em um mundo de transição, com variados modelos sociolaborais de referência para guiar a construção da vida, tanto daqueles mais tradicionalmente construídos quanto os mais contemporâneos. Um exemplo dessa diferença é o que significava o trabalho no séc. XX, que seguia basicamente o modelo de ter uma boa formação, conseguir um bom emprego e mantê-lo até o final da vida em uma situação que possibilitava certa previsão do futuro. E é neste ponto, sobre as concepções de trabalho que surgem grande parte das discórdias entre pais e filhos.

Entretanto, no séc.XXI, além dos aspectos citados anteriormente, trabalhar é também não ter clareza se a formação é suficiente, é mudar constantemente de emprego, trabalho, cidade, e, muitas vezes até de profissão e nunca ter segurança, estabilidade e continuidade definitivas, como nos modelos de trabalho predominantes no séc. XX.E não foi só no mundo do trabalho que as coisas mudaram, pois, as referências sobre família, gênero, sexualidade, formação, modelo de vida adulta. Ou seja, a estrutura social oriunda da tradição não responde mais totalmente á organização e normatização da vida sociolaboral, promovendo uma situação de sofrimento e angústia pela falta de referências que estejam dentro do enfrentado pelo
adolescente do séc. XXI, que não vê o modelo de trabalho do séc. XX as respostas que precisa para lidar com as mudanças e o tempo em que vivemos.

E é quando as famílias costumam entrar em conflitos; pois não conseguem muitas vezes dar conta de entender esse processo de trabalho escolha vocacional que é feito agora! Alguns pais ficam aflitos, com a preocupação escolhida pelo filho é rentável, se vai conseguir se manter no futuro, enquanto outros filhos, muitas vezes, enfrentam a rejeição clara e taxativa pela profissão escolhida, pois não se trata somente de uma profissão, mas de uma busca de identidade por algo, que não corresponde ao idealizado pelos pais, sendo que esse tipo de rejeição marca o próprio autoconceito do jovem, pois também entende isso como falta e amor dos pais.

Fazer escolhas é algo difícil para todos, mas existem escolhas que ocupam boa parte dos nossos anos, e a escolha da profissão é uma delas, mesmo que não precise mais ser para toda vida, com certeza vai nos levar para alguns anos de preparação, portanto tem um grande peso para este adolescente, que falamos lá no início do texto. Mas, independentemente dos tipos de famílias que estamos falando aqui, todas precisam ter em mente que é somente o diálogo verdadeiro, empático, a escolha feita com base em dados da realidade, e não a escolha que você escolhei previamente sejam ouvidas.

Então antes que o sofrimento se instale, procure escutar, questionar sobre qual melhor caminho, pesquise os cursos que deseja em detalhes, veja situação real no mercado do trabalho (não aquela que você supõe, pois com certeza vai encontrara profissões que você nem sabia que existia que podem ser bem remuneradas ou não…mas se os filhos não encontram os modelos nas profissões paternas, nada impede que esses pais não possam ajudar seus filhos a encontrar esses novos modelos, e transformar esse momento em uma oportunidade de conhecer melhor o mundo que realmente os filhos estão vivendo, e construir juntos os próximos passos.

Vanessa Santos – Psicóloga CRP 07/25298

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