Lixão toma conta de escombros de obra no Alto do Amorim em Cachoeira do Sul

Cachoeira do Sul, · --°C

Os escombros de uma construção de uma escola de educação infantil, que estava prevista no período de 2015 a 2019 para a região do Alto do Amorim, em Cachoeira do Sul, estão transformados em um depósito de lixo cercado pelo mato. O que restou das paredes, da cobertura e do que existia na área interna está tudo destruído. A sujeira é extrema e, por isto, após quase dez anos o local virou um criatório de insetos, ratos e outros animais.

A escola fazia parte de um programa do governo federal denominado Próinfância. Uma empresa que ganhou a concorrência para construir creches no país– inclusive a de Cachoeira – chegou a iniciar a obra, mas acabou abandonando o projeto. A empresa era a construtora MVC. Desde então, a comunidade do Alto do Amorim convive com um resto de construção que se transformou também em ponto de encontro de vândalos e lixo por todo o lado.  

O QUE ESTAVA PREVISTO

– CONSTRUÇÃO DA CRECHE ALTO DO AMORIM – TIPO C DO PROGRAMA PRÓ-INFÂNCIA DO GOVERNO FEDERAL, A PEDIDO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO.

– Valor máximo global

     R$ 1.154.486,32

Crédito:Reprodução

MORADORES DENUNCIAM DESCASO

A reportagem do Portal Correio foi acionada por moradores da redondeza que estão assustados com os escombros da obra. “Não aguentamos mais o descaso”, relatou uma moradora que todos os dias passa pelo local. A apreensão é tanta que alguns chegaram a colocar fogo no lixo, onde pode ser encontrados roupas, calçados, plástico, tapetes, madeira, sacolas, afora mau cheiro.

O local previsto para a obra da escola infantil não é pequeno. A área faz divisa com o complexo do Botafogo FC – onde existe vários campos de futebol de um projeto social – moradias, o kartódromo municipal e a antiga sede campestre utilizada por servidores municipais. Toda a região está em meio a um matagal e não existe iluminação pública. O acesso é pela Rua José Antônio Mesquita.

O projeto Próinfância acabou não se concretizando em nenhum município brasileiro. Na época, da Famurs saiu no auxílio das prefeituras gaúchas que ficaram com obras das escolas de educação infantil paradas. A empresa MVC venceu, em 2012, licitação do governo federal para construir 208 creches em 98 municípios do Rio Grande do Sul.

Um projeto com custo total de R$ 283 milhões. Segundo a Famurs, apenas quatro unidades foram concluídas. As demais foram abandonadas pela metade ou sequer iniciaram.

Crédito:Reprodução

MAIS CONTRATOS

Na fase inicial do Proinfância, a MVC foi a que recebeu mais contratos no país. Ganhou licitação para erguer 1.241 creches entre 2013 e 2015. A maioria não saiu do papel. Se no Rio Grande do Sul ela concluiu 6% dos 208 contratos, em nível nacional o desempenho foi pior: 0,64%, conforme o Tribunal de Contas da União (TCU).

No Rio Grande do Sul, pelo menos 21 prefeituras pediram indenização à MVC. Algumas cidades contabilizam até quatro escolas inconclusas, prometidas pela empresa, caso de Gravataí.

Crédito:Reprodução
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