FIQUE MAIS LEVE – Sofrimento mental de crianças e adolescentes na pandemia: Como a família pode ajudar?

Por 28 de novembro de 2020

Embora o tema “pandemia” gere em muitas pessoas um virar de olhos de quem não aguenta mais falar e ouvir sobre o assunto, eu gostaria de pedir só mais um pouquinho da sua atenção em relação a isso, e faço esse pedido aos adultos, para que observem a saúde mental das crianças e adolescentes nesse período da pandemia, pois mesmo que o tema não seja agradável, a pandemia existe e todos estamos vivendo suas  consequências.

Os efeitos do confinamento e do trauma coletivo, sejam pelo impacto globalmente observado pelas variadas formas possíveis de intervenção, são os maiores responsáveis pelas repercussões em saúde mental, A intensidade do distanciamento social, a qualidade das relações familiares e o tempo de duração deste isolamento são variáveis importantes na avaliação dos prejuízos emocionais dessa medida.

Conforme a Fundação Oswaldo Cruz, até o momento, inquéritos populacionais vêm corroborando a importante premissa que embora menos susceptíveis às formas clínicas graves da COVID-19, crianças e adolescentes não são indiferentes ao seu impacto, quando considerada a dimensão mental. Os pesquisadores da referida instituição, especialmente Jiao e seus colobaradores aplicaram um teste online, com uma amostra de 320 crianças e adolescentes (três a 18 anos) e identificaram alguns sinais e sintomas desencadeados pela pandemia.

Entre eles destacam-se a dependência excessiva dos pais (36%), desatenção (32%), irritabilidade (31%), preocupação (29%), pedidos constantes de atualização (28%), medo de adoecimento de familiares (21%), problemas de sono (21%), diminuição do apetite (18%), pesadelos (14%), desconforto e agitação (13%). Ainda que a triagem não tenha permitido uma formatação diagnóstica, os autores puderam avaliar uma maior gravidade nos sintomas de dependência, desatenção e irritabilidade.

Também é preciso pensar que paralelo a isso, as crianças, pais e professores precisaram demonstrar adaptação rápida a novas tecnologias e provavelmente passaram a valorizar mais os professores de seus filhos…A educação ainda que remota, é feita em novos moldes, no ambiente do aluno e sujeito a interferências, e é preciso ter calma com os pequenos, não forçando que eles tenham o desempenho que teriam em outros momentos, pois a situação é muito diferente. Além disso, para aqueles que ficam angustiados com tarefas não feitas, eu sugiro que olhem para educação não somente pelo lado da aprendizagem de conteúdo, mas do desenvolvimento de habilidades, e olha quantas habilidades nossos pequenos estão aprendendo! Entre elas estão a empatia, a solidariedade, e alguns que tem a oportunidade de ficar com familiares no tempo que seria da escola, estão aprendendo com os mais velhos aquilo que a escola não ensina e que cada família tem diferente, habilidades de cozinhar em algumas, de fazer trabalhos manuais, ou cuidar das plantas isso tudo também é aprendizado! Reconhecer o inédito, o difícil momento por que passamos é fundamental. Nesse período de exceção e de isolamento, a comunicação, a escuta e o acolhimento das diferentes percepções podem contribuir para ajudar as crianças e adolescentes a compreenderem que há momentos difíceis que envolvem sofrimento; que não estão sozinhos e que os adultos estão tomando providências possíveis.

Toda criança tem sua própria maneira de expressar emoções. Elas geralmente seguem as pistas emocionais dos adultos importantes em suas vidas; portanto, o modo como estes respondem à crise faz diferença. É importante que os adultos procurem gerenciar suas próprias emoções. As cobranças não devem se sobrepor à tolerância e à consciência de que não será possível cumprir perfeitamente todas as atividades Também é importante filtrar quantidade e qualidade de informações. Há risco de superexposição doméstica notícias gerando pressão psicológica. A conectividade atual representa vantagens no compartilhamento de conhecimento e de estratégias. A inserção digital tem sido um importante recurso para encontros virtuais, contribuindo com a manutenção dos laços sociais e afetivos. Embora o tempo diante de telas precise ser observado, bem como a adequação e a qualidade do conteúdo, neste momento, há de se ter mais flexibilidade em seu uso (ORGILÉS et al, 2020; SBP, 2017).

Aqui vale ressaltar que mesmo que a criança não esteja aparentemente assistindo TV, por exemplo, ela escuta enquanto brinca tudo aquilo que você escuta, só que não possui a mesma estrutura psíquica e cognitiva que você tem para filtrar o que escuta, então fique atento com que está passando nos ouvidos dessas crianças também! construção conjunta de acordos e de regras de convivência, claras e constantes, pode evitar conflitos decorrentes de medidas restritivas. A construção de rotinas familiares é um fator protetivo e estratégia para enfrentar esse período. Planejar a semana, definir objetivos diários alcançáveis ajuda no senso de autocontrole. A rotina de alimentação e das tarefas domésticas podem incluir a participação das crianças, o que fortalece laços e o senso de responsabilidade. O tempo para o autocuidado, com exercícios físicos incluídos na rotina diária da criança e sua família, contribui nesse enfrentamento.

E caso você perceba que essas medidas não reduziram os sintomas que citei logo acima, procure ajuda de um profissional que possa fazer uma avaliação global e buscar outras estratégias para diminuir o sofrimento mental das crianças e adolescentes.

Vanessa Santos – Psicóloga CRP 07/25298

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