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quarta-feira, 2 dezembro, 2020 - 00:14
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FIQUE MAIS LEVE – Homem não chora?

O texto desta semana pretende colaborar com a campanha novembro azul, que chama atenção para a importância da prevenção do câncer de próstata, mas não é exatamente sobre o câncer de próstata que vou falar, mas das características que tornam este exame tão difícil de ser realizado por alguns homens, além de chamar atenção para o cuidado em saúde mental do homem.

E para entender um pouco melhor o assunto é preciso refletir sobre masculinidades e as feminilidades, também chamadas de identidade de gênero, que se configuram como o conjunto de traços construídos na esfera social e cultural por uma sociedade, os quais definem os gestos, comportamentos, atitudes, vestimenta, falar e agir tanto para homens quanto para mulheres. Essas identidades tendem a estar em consonância com o sexo biológico, mas não necessariamente estão compatíveis com ele, e estão continuamente sendo modificadas.

Mas você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com novembro azul? E a resposta talvez seja simples, mas não necessariamente fácil de aceitar. A construção social de masculinidade tem grande influência nos cuidados preventivos da saúde masculina de modo geral, e no caso do exame de próstata esse item é bem importante de ser avaliado, já que a maioria dos homens atrela o exame com sua própria sexualidade.

Essa construção social da masculinidade faz com que os homens falem menos sobre suas emoções, suas doenças de modo geral, afinal de contas, homem não chora… De modo amplo, o homem possui uma imagem de invulnerabilidade, como se danos sociais, físicos e mentais não o atingissem.

Em 2008, foi promulgada pelo Ministério da Saúde A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, baseada no fato que essa população não acessa com regularidade o sistema de saúde pela Atenção Primária (Unidade de saúde mais próxima da residência), sendo seu atendimento inicial já feito pelos serviços de média e alta complexidade, buscando tratamento ou reabilitação para os agravos de saúde que já estão instalados.

Perceba, então, que o mesmo ambiente cultural que reproduz a superioridade do homem, acaba prejudicando-o quando o induz a descuidar de sua saúde e a negar riscos frente a qualquer falha na função de provedor, já que quando afetado por alguma doença, ele tende a se calar e a não buscar apoio.

Entre os transtornos mentais com maior índice entre os homens está a dependência de substâncias lícitas e ilícitas, sendo o álcool a substância que lidera o ranking, e esse uso de substâncias como o álcool está atrelado ao papel social dado ao homem, que vê nessa atitude uma forma de masculinidade, e em decorrência desse uso, temos um efeito dominó de maior índice de violência doméstica e contra mulher
Mas como podemos mudar esse quadro? E a resposta passa pela forma como ensinamos as crianças sobre seu papel social e sua masculinidade, não atrelando masculinidade com sexualidade, não dividindo tarefas como tarefas de meninos e das meninas em casa, lembrando que não há nada de errado um menino brincar de bonecas, pois afinal, um dia ele será pai, e irá cuidar de uma criança. Assim como não há nada de errado em meninas brincarem de carrinho, pois também um dia serão motoristas.

Então, que fique esse alerta aos homens e suas famílias de que cuidar da saúde física e mental não é sinal de fraqueza, mas o contrário, é sinal de força e demonstração de amor para si mesmo e para aqueles que você ama que irão poder desfrutar da sua companhia por muito tempo, pois você cuidou de você mesmo, e não deixou de ser “homem” por isso…

Vanessa Santos – Psicóloga CRP 07/25298

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