FIQUE MAIS LEVE – Alguma coisa que existia não existe mais: o luto necessário

Por 12 de dezembro de 2020

Nunca sofri um acidente de avião, mas já ouvi relatos de sobreviventes. Eles percebem a perda de altitude, a potência enfraquecida das turbinas, o desastre iminente, até que acontece a parada definitiva da aeronave e ouve-se um barulho fora do normal, algo verdadeiramente assustador. Então, após o estrondo, sobe do chão um silêncio absoluto. Por alguns segundos ninguém fala, ninguém se move. Todos em choque. Não se sabe o que aconteceu, mas sabe-se que é grave. Alguma coisa que existia não existe mais.

É a quietude amortizante de quem não respira, não pensa, não sente nada ainda.Só então, depois desse vácuo de existência, desse breve período em que ninguém tem certeza se está vivo ou morto, começam a surgir os primeiros movimentos, os primeiros gemidos, uma sinfonia de lamentos que dará início ao que está por vir: o depois. Escolhi esse trecho do livro Fora de mim, de Martha Medeiros, para falar de um tema que de todas as maneiras queremos evitar: o luto, a perda, ou o que vem depois de quando perdemos algo ou alguém que amamos muito.

A palavra “luto” tem a sua origem no latim “LUCTUS”, ‘aflição, pesar, dor’, de “LUGERE”, ‘sofrer, lamentar’. Temos uma população mundial enlutada. Existe o luto concreto, pela morte concreta, e o luto simbólico, por perdas significativas. O luto simbólico ou o luto em vida, pelas mortes simbólicas ou pelas mortes significativas. É o mesmo luto da morte. Toda vez que você perde algo e essa perda é irreversível, não tem como voltar atrás, você sofre por isso e tem que reaprender a viver de outro jeito, estamos falando de luto”
A população mundial está enlutada. Existe o luto concreto, pela morte concreta, e o luto simbólico, por perdas significativas. O luto simbólico ou o luto em vida, pelas mortes simbólicas ou pelas mortes significativas. É o mesmo luto da morte. Toda vez que você perde algo e essa perda é irreversível, não tem como voltar atrás, você sofre por isso e tem que reaprender a viver de outro jeito.

Conforme a especialista em gestão de risco e desastre pela Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas – OIT/ONU (Turim, Itália), Elaine Alves, com a pandemia, “estamos enlutados por tudo que perdemos. Não sabemos quando vamos nos recuperar e nem mesmo o que vamos recuperar. E todo mundo dentro da nossa casa está enlutado, cada um tem o seu luto”, disse, exemplificando o caso das crianças, enlutadas por aquilo que perderam, enquanto os adultos, pela diferença de idade, não entendem o que elas estão sentindo. “Tudo o que nós temos e estamos vivendo são reações de luto: crise de ansiedade,
crise de pânico, insônia, pesadelos, comer demais, comer de menos, falta de vontade de levantar da cama. Na verdade, na maioria das vezes, a gente tem reações de luto”, comentou a psicóloga.

O luto é um processo que todos nós vamos viver ou já vivemos, e que torna tudo mais difícil é o contexto que vivemos, a dificuldade das pessoas de fazer seus rituais de despedida, é apenas um dos exemplos que torna o que chamamos tecnicamente de “luto complicado”, a perda abrupta e a despedida que não aconteceu não podem ser negligenciadas ou posta como algo que não devemos falar.

Existe um forte movimento em torno das “vibrações positivas”, dizendo que você precisa ser positivo, não se estressar, representando a luta constante por não se sentir triste. Mas nem sempre toda essa positividade é o caminho certo para a alegria. Se alguém de vocês já assistiu “Divertidamente” (se não assistiu, já fica como dica) deve lembrar que a personagem alegria queria manter a qualquer custo a alegria da jovem mente de uma adolescente que estava triste com a mudança para uma nova cidade, e com a própria chegada da adolescência, que é quando os personagens alegria e tristeza saem em busca de uma memória incrível, que pudesse deixar a jovem feliz, no entanto a memória mais triste dela, foi também a memória mais feliz, pois quando estava chorando e triste, seus pais vieram e a consolaram, fazendo
com que se sentisse segura.

É preciso que a gente permita a tristeza, como uma pausa, uma reflexão, e também como um tempo para novos começos…

Vanessa Santos – Psicóloga CRP 07/25298

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