
Nos últimos meses, a imprensa norte-americana tem enfrentado uma nova onda de censura, ou como alguns preferem chamar, cancelamento institucional. Um dos casos mais emblemáticos foi a recente suspensão do programa do comediante Jimmy Kimmel pela emissora ABC, após críticas feitas por ele ao presidente Donald Trump e seus apoiadores. A decisão veio após pressão direta da Comissão Federal de Comunicações, presidida por Brendan Carr, nomeado por Trump.
O programa de Kimmel foi retirado do ar por tempo indeterminado, sem explicações claras da emissora. A suspensão foi celebrada por Trump nas redes sociais, que parabenizou a ABC por “fazer o que devia ser feito”.
Mas esse não é um caso isolado. A NPR e a PBS, rádio e TV públicas dos EUA, também estão sendo investigadas por suposta violação de regras federais, após críticas ao governo. A Casa Branca chegou a vetar repórteres da Associated Press e cortou assinaturas de veículos considerados “hostis”.
No Brasil, o debate sobre liberdade de imprensa também está acalorado. Decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, têm gerado polêmica ao bloquear redes sociais e suspender plataformas como o Rumble, alegando disseminação de desinformação.
Enquanto nos EUA o governo pressiona comunicadores por críticas ao presidente, no Brasil o Judiciário atua para conter discursos considerados antidemocráticos, o que levanta uma questão delicada: onde termina a proteção contra fake news e começa a censura? Numa democracia, todos nós temos o direito de ouvir, questionar e decidir por conta própria.
Falando claro: o que está em jogo aqui não é apenas a liberdade de expressão dos comunicadores, mas o papel da imprensa como fiscalizadora do exercício do poder, seja estatal ou privado.