
A colheita do arroz da safra 2025/2026 foi concluída em Cachoeira do Sul com leve avanço na produtividade em comparação ao ciclo anterior. Conforme dados do 4º Núcleo de Assistência Técnica (4º Nate) do Instituto Rio Grandense do Arroz, o município registrou área semeada de 24.288 hectares, com 100% da área já colhida.
A produtividade média alcançada foi de 8.365,15 quilos por hectare, número considerado positivo diante das condições climáticas observadas ao longo do desenvolvimento das lavouras. Segundo a engenheira agrônoma Camila Corrêa Vargas, do 4º Nate do Irga, a safra apresentou períodos de queda de temperatura durante o ciclo produtivo, mas sem provocar impactos expressivos sobre o desenvolvimento dos sistemas produtivos. “A safra foi marcada por produtividade levemente maior em relação à anterior. Tivemos alguns períodos de temperaturas mais baixas, porém sem danos significativos às lavouras”, destacou.
Baixo preço do arroz preocupa
Apesar do desempenho considerado satisfatório no campo, o cenário econômico preocupa os produtores. Conforme a avaliação técnica do Irga, a principal dificuldade enfrentada atualmente pelo setor está relacionada à desvalorização do arroz no mercado. “O principal problema registrado é a queda no preço do arroz, que vem gerando pressão no mercado e dificuldades na comercialização do produto”, observou Camila.
Na praça de Cachoeira do Sul, o preço da saca de 50 quilos do arroz tipo 1 (58% de grãos inteiros) permanece estagnado em R$ 58,00. O cenário não é muito diferente em outras regiões do Estado. Em Camaquã, por exemplo, a cotação está em R$ 65,50.
Outro ponto acompanhado pelos produtores durante o ciclo foi a presença de plantas daninhas nas áreas cultivadas, especialmente o arroz vermelho. Ainda assim, segundo a agrônoma, o problema não comprometeu de forma ampla o rendimento das lavouras. “Evidenciamos problemas com plantas daninhas, principalmente arroz vermelho. Mas, em geral, não foi um fator limitante na produtividade, exceto em algumas áreas pontuais”, explicou.
Perspectivas para a safra 2026/2027
Com projeções indicando a possibilidade de influência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, o setor arrozeiro já começa a monitorar os possíveis reflexos para o próximo ciclo produtivo no Rio Grande do Sul. De acordo com Camila, o aumento no volume de precipitações previsto para os próximos meses exige atenção dos produtores, principalmente em relação ao manejo das áreas e à realização de atividades de preparo do solo para a safra 2026/2027. “Como estão previstos aumentos nos volumes de precipitação, a recomendação é que o produtor fique atento aos períodos secos para realizar preparo de solo ou implementação de pastagens”, orientou.
O tema estará em debate durante o 18º Seminário do Irga, programado para ocorrer dentro da programação da 26ª edição da Fenarroz, no dia 2 de junho, a partir das 9h30min, em Cachoeira do Sul. A programação inclui a palestra “Perspectivas do El Niño para a safra 2026/2027”, ministrada pela consultora técnica do Irga, Jossana Cera. Também estão previstas a apresentação do case “Sistema Arroz RS 14: Case Rancho King”, com o especialista em orizicultura do Irga, Marcelo Ferreira Ely, além da palestra “Manejo de plantas daninhas, com foco na resistência, em sistemas de cultivo em terras baixas”, conduzida pelo consultor técnico do instituto, Carlos Mariot.