Audiência sobre transporte coletivo termina em confronto verbal em Cachoeira do Sul

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Debate sobre novo projeto de lei expõe divergências entre governo e concessionária

A discussão sobre o futuro do transporte coletivo em Cachoeira do Sul ganhou contornos de tensão no fim da tarde desta quinta-feira (23). A audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul, que tinha como foco a modernização do sistema, acabou marcada por um embate direto entre representantes do poder público e da empresa concessionária.

A edição desta sexta-feira (24) do programa Vale Informação – da Rádio Vale FM 99.1 – abordou a pauta com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Cachoeira do Sul, Luís Aníbal Machado. Confira a sua análise sobre a audiência:

No decorrer do programa, os jornalistas Ronaldo Tonet e Tomás Sá Pereira – produtores da atração da emissora – lembraram o ponto mais crítico da audiência, que ocorreu durante as manifestações na tribuna, quando o secretário de Transportes e Mobilidade Urbana, Orion Ponsi, atribuiu à concessionária a responsabilidade por falhas recentes no serviço. Segundo ele, haveria situações em que ônibus deixaram de circular de forma deliberada, especialmente em linhas consideradas estratégicas.

A declaração provocou reação imediata do diretor da TNSG, Pipa Germanos. Ele contestou a acusação e afirmou que os problemas enfrentados nas últimas semanas estão ligados ao desgaste da frota, com veículos apresentando falhas mecânicas. O empresário relacionou o cenário à política tarifária adotada pela atual gestão municipal, que reduziu o valor da passagem em 2025, além de apontar as condições das vias urbanas como fator que impacta a manutenção dos ônibus.

O debate evoluiu para troca de críticas sobre dados utilizados na análise do sistema. Pipa questionou números apresentados pelo secretário, enquanto Ponsi rebateu, afirmando que as informações haviam sido interpretadas de forma incorreta. “O senhor fez um cálculo em que o senhor calculou as receitas e incluiu as passagens do interior, secretário, e achou 92 mil passageiros, quando a verdade é 82.039”, reclamou Pipa. “O senhor não leu nem a planilha”, rebateu o secretário Orion Ponsi. “O senhor é que não leu a planilha”, devolveu Pipa.

A audiência foi convocada para discutir o Projeto de Lei nº 08/2026, encaminhado pelo Executivo ao Legislativo no início do ano. A proposta prevê a atualização das regras do transporte coletivo no município, substituindo a legislação vigente desde 1999 e abrindo caminho para um novo processo de licitação do serviço.

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