
O ex-presidente da República Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, após indícios de violação de sua tornozeleira eletrônica. Segundo a decisão, essa ruptura, somada à convocação de uma vigília por seus apoiadores perto de sua casa, configurava risco de fuga.
Em audiência de custódia realizada por videoconferência, o ex-presidente confessou que mexeu no dispositivo, mas negou que sua intenção fosse escapar. Ele afirmou ter sofrido “uma certa paranoia”, atribuída à combinação de medicamentos prescritos por diferentes médicos, que teriam interagido de forma inadequada.
Bolsonaro relatou que, no meio da noite, passou a acreditar que sua voz era captada por algum tipo de fiação existente dentro da tornozeleira, o que o levou a usar um “ferro de solda” para danificá-la. Ele disse ter interrompido a ação assim que “voltou à lucidez” e, em seguida, comunicado as autoridades, negando qualquer planejamento de fuga. “Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite, mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia”, relata o documento com o depoimento de Jair Bolsonaro.
A juíza da custódia, Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, homologou a prisão, afirmando que não houve irregularidades na abordagem policial. O pedido anterior da defesa por prisão domiciliar humanitária, baseado em alegações de problemas de saúde preexistentes, já havia sido rejeitado.
Neste domingo (23) a mulher de Bolsonaro, ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, visitou o marido na carceragem da superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Após permanecer por quase duas horas, ela deixou o local sem falar com a imprensa. Imagens de Bolsonaro na carceragem e da saída de Michelle vêm sendo divulgadas com exclusividade pela CNN Brasil.
Quais são os próximos passos sobre a prisão de Jair Bolsonaro
Agora, a Primeira Turma do STF está convocada para analisar se confirma ou revoga a prisão preventiva. A defesa deve reforçar os argumentos sobre a saúde mental do ex-presidente, com foco nas alegadas alucinações, para tentar reverter a decisão ou obter medidas alternativas mais brandas.
A repercussão política é imediata: a detenção coloca mais tensão na polarização nacional, enquanto seus apoiadores continuam mobilizados. Para seus adversários, isso sinaliza que nem figuras de alto poder podem driblar a justiça — e a combinação entre saúde mental e simbologia política torna esse capítulo particularmente delicado para todos os envolvidos.
O que vem a seguir a partir da prisão de Bolsonaro: desdobramentos jurídicos e políticos
Decisão no STF: A prisão preventiva de Bolsonaro agora será objeto de apreciação pela Primeira Turma do STF, que pode referendar ou revogar a ordem de Alexandre de Moraes.
Pressão da defesa: A equipe jurídica de Bolsonaro deve reforçar o argumentado sobre sua saúde mental e a alegada incompatibilidade entre as medicações usadas. Eles também podem insistir em medidas alternativas à prisão, como a volta à detenção domiciliar, caso sejam apresentados laudos médicos concludentes.
Reação política: A detenção do ex-presidente deve intensificar a polarização. Seus apoiadores já mobilizam-se em protestos, enquanto adversários podem ver a manutenção da prisão como um passo decisivo para a responsabilização após a condenação de 27 anos por tentativa de golpe.
Implicações diplomáticas: A prisão de Bolsonaro e as acusações de tentativa de fuga podem gerar repercussões internacionais, já que ele manteve relações estreitas com lideranças estrangeiras, e seu caso pode chamar atenção para a estabilidade institucional brasileira.